terça-feira, 27 de setembro de 2016

son of computer music

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

mais leituras aleatórias


Ao voltar de uma viagem a Curitiba, me deparei com uma queima de estoque de livros novos no aeroporto. Entre os títulos psicografados e auto-ajuda para empresários, consegui encontrar algumas coisas interessantes a preço de banana, como o ótimo "Signos e Estilos da Modernidade - ensaios sobra a sociologia das formas literárias", do italiano Franco Moretti. A pompa do título brasileiro e de seu subtítulo pode ser o suficiente para um pedante mediano erigir uma reputação (como encontrei depois em um texto sobre o livro), mas, longe disso, a pretensão aqui é apenas compartilhar alguns trechos que me chamaram a atenção até agora e movimentar este pobre e deserto espaço.

Já no avião, comecei a leitura pela orelha: "transcendendo a mera abordagem de cunho estruturalista, o autor encampa as contribuições da sociologia, da historiografia, da psicanálise, da retórica e de algumas vertentes teóricas da contemporaneidade para pôr em xeque o estatuto dos 'gêneros literários'." Ou seja, Moretti mistura a porra toda e analisa qualquer coisa sob a perspectiva de qualquer outra, uma abordagem que muito me atrai. Partem daí, por exemplo, leituras inesperadas como a análise de Drácula e Frankenstein à luz de Marx e Freud, concluindo que o gênero do terror existe para "tomar a si determinados medos para apresentá-los numa forma diferente da real; transformá-los em outros medos, para que os leitores não tenham de enfrentar aquilo que realmente pode assustá-los". No caso, o triunfo do capitalismo de monopólio, o poder do sexo e do estrangeiro e tudo o que atente contra o status quo. "Pensar por si mesmo, perseguir os próprios interesses: eis os perigos reais que essa literatura quer exorcizar." Antes da conclusão, porém, são as comparações preliminares que mais divertem, especialmente por serem tão inusitadas quanto precisas:

Frankenstein e Drácula levam vidas paralelas. São personagens indivisíveis, porque complementares; as duas faces horríveis de uma só sociedade, os extremos: o miserável desfigurado e o proprietário impiedoso. O trabalhador e o capital.
[...]
Quem ousa combater o monstro torna-se, automaticamente, o representante da espécie, de toda a sociedade.

Na longa introdução, em que esmiúça seu próprio processo teórico e critica a crítica literária, encontramos esse petardo ‒ tão necessário para comentaristas de blogue e juízes de mesa de bar (além de resenhistas rasos como eu, por que não?):

Deixem-me explicar, começando com um conceito essencial para a teoria do "retorno formal do recalcado": o conceito de "negação" (Verneigung). Em sua leitura freudiana de Fedra, Francesco Orlando elaborou e condensou esse conceito na fórmula "Não gosto disso". A fórmula exprime um conflito: não/gosto disso. Mas este conflito exprime-se e é interpretado de forma cientificamente inaceitável, porque apenas um dos seus elementos é definido; o outro é determinado apenas e exatamente "pela negação". Esse lado da oposição em que se localiza o recalcado possui um conteúdo só seu: o "gosto disso", que se refere a um objeto ou imagem específico. O outro lado, diferentemente, não passa de um "não". Isso mostra que determiná-lo pelo que é é algo considerado de importância inteiramente secundária. Só pode ser descrito e possuir importância teórica em virtude do que não é
Se um certo tipo ou intensidade de desejo pode ser expresso pela negação com a declaração NÃO GOSTO DISSO, um desejo maior ou mais indeclarável dará origem, por exemplo, a NÃO GOSTO NADA DISSO. Um desejo ainda maior ou indeclarável poderá ser representado como ODEIO ISSO, DETESTO ISSO e outras expressões semelhantes que continuam a ser negações claras, embora incorporadas a um verbo sem uma partícula negativa. Poderíamos comparar tudo isso a um recipiente cujo conteúdo exerça uma pressão mais ou menos explosiva sobre as paredes; quanto maior a pressão, mais resistentes ou numerosas têm de ser as paredes.

De resto, até onde li, os textos enveredam pela filosofia e outras divagações deliciosas, e é justamente essa leitura cruzada e sem preconceitos que gera interpretações pessoais as mais diversas possíveis, sobre o cotidiano do próprio leitor. Ao longo do livro acabamos extraindo algumas pérolas relevantes para os dias de hoje ‒ ou de qualquer época, como veremos. A citação abaixo, por exemplo, não poderia ser mais atual ‒ embora escrita no século XVII ‒, num momento em que a divergência polarizadora domina todos os debates:

Quando se examina com cuidado o que é que, de ordinário, prende os homens mais a uma opinião que a outra, descobre-se que não é a penetração da verdade e a força do raciocínio, mas algum laço de amor-próprio, de interesse ou de paixão. Este é o peso que move a balança e que nos determina na maior parte de nossas dúvidas; é o que dá o impulso maior aos nossos juízos e que nos prende a eles com mais força. Julgamos as coisas não pelo que são em si mesmas, mas pelo que são em relação a nós; e a verdade e a utilidade, para nós, não passam da mesma coisa. (Antoine Arnaud e Pierre Nicole, La logique ou l'art de penser, 1662-83.)

De fato, como Guimarães Rosa já sabia, "pão ou pães, é questão de opiniães". Moretti complementa: Nosso aparelho psíquico é determinado pelo contexto sócio-histórico, e é difícil imaginar uma história social satisfatória do "consenso" que não compreenda as técnicas de persuasão. A retórica pressupõe a divergência, caso contrário não existiria. Fora isso, o ser humano parece não conseguir acompanhar o seu próprio desenvolvimento tecnológico (ou pior, a evolução do seu próprio aparelho cerebral, como afirmava o romancista Arthur Koestler no pseudo-científico ‒ e não menos interessante por isso ‒ "O Fantasma da Máquina", de 1967), numa espécie de anacronismo esquizofrênico em que cria mais rápido do que consegue compreender a si mesmo ou ao seu progresso (levando, fatalmente, à sua auto-aniquilação):

A inércia, força histórica fundamental, [...] é mais um fato da mente do que da matéria, já que esta última costuma ser mais rápida na ação que a primeira. Os homens utilizam as máquinas que inventam enquanto mantêm a mentalidade dos estágios técnicos anteriores. Os motoristas de automóveis usam o vocabulário de um cavaleiro, os operários fabris do século XIX têm a mentalidade de seus pais e avós camponeses. A mentalidade é o que muda mais devagar. A história das mentalidades é a história da lentidão na história. (Jacques Le Goff, "Les mentalités: une historie ambiguë", em Jacques Le Goff e Pierre Nora, orgs., Faire de l'historie, Paris, 1974.)

Sem dúvida, um bom achado (quem achou quem?) para um saldão de aeroporto, ao acaso.
Nenhum algoritmo faria melhor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

single



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

chupa manga zine nº2



compre o impresso aqui: chupamanga.iluria.com/pd-3069fd
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estarei na parada gráfica (museu do trabalho, porto alegre) nos dias 6 e 7 de agosto, para quem quiser conferir pessoalmente.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

world muzik

é engraçado como a internet trouxe novos meios de nos relacionarmos com o mundo. hoje posso trabalhar, me divertir e aprender muita coisa sem sair de casa, mas isso não significa que as interações sociais não aconteçam. conheci o stano através do soundcloud, quando ele me mandou uma mensagem com o link das suas músicas, e desde então não parei de ouvi-las. um cara mais ou menos da minha idade do outro lado do mundo também grava coisas estranhas sozinho e não tem pra quem mostrar. das centenas de arquivos que ele me enviou, escolhi doze que representam um pouco da diversidade do seu trabalho, coloquei em uma ordem interessante e tentei masterizar as gravações na raça. o resultado é esse álbum de estreia, apresentando o camarada por aqui e preparando o caminho para outros lançamentos -- tem muito mais de onde veio isso.


terça-feira, 14 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

chapa mamba inédito




Essa é uma das faixas que estará no compacto em vinil "Lombra Society Discos vol.2", programado para setembro.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

novidades musicais

Em breve vou iniciar uma newsletter marota do meu humilde selo Chupa Manga Records (gravações caseiras, experimentalismos, anti-hits, pop torto, bandas obscuras e correspondentes interplanetários). 

Nela constarão, dentre outros: 
lançamentos em formato físico e digital; atualizações sobre as mercadorias do selo; promoções, descontos e faixas exclusivas para os assinantes; datas de show/turnê dos projetos envolvidos (quando for o caso); alguma notícia pertinente sobre música em geral e outros assuntos de interesse.

Tudo nas redes sociais parece virar ruído, então vamos tentar transmitir a informação de outra forma. Prometemos envios esporádicos. Uma vez por mês, no máximo, para não encher o saco de ninguém.

Não custa nada, caso queira se inscrever basta fazê-lo em aqui (rápido, fácil e indolor - via mailchimp).


quinta-feira, 19 de maio de 2016

leituras cruzadas e livre associação



Tenho lido vários livros ou trechos deles ao mesmo tempo, hábito que costuma levar a conexões interessantes e soluções inesperadas a questões que estejam rondando a minha cabeça no momento. Ainda mais agora, quando a ficção tem concorrência tão desleal com a própria realidade, alguns textos se destacam como alegorias do presente, interpretações possíveis e parábolas que me chamaram a atenção. Foi o caso recente do poema Hino Nacional, de Drummond, em "Brejo das Almas" (1934):

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores do que quaisquer outras; nossos erros também.
(...)
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nosso terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

e do menos óbvio ato XXVIII do "Cobra Norato" de Raul Bopp (1931):

A floresta se avoluma
Movem-se espantalhos monstros
riscando sombras estranhas pelo chão
(...)
Lá adiante
o silêncio vai marchando com uma banda de música
(...)
Jaburus de monóculo namoram estrelas míopes
João Cutuca belisca as árvores
Passa lá embaixo a escolta do Rei-de-Copas
Curvam-se as canaranas
Chegam de longe ruídos anônimos
(...)
Cipós fazem intrigas no alto dos galhos
Desatam-se em gargalhadinhas
Uma árvore telegrafou para outra:
psi psi psi
Desembarcam vozes de contrabando
Sapos soletram as leis da floresta


Ontem foi a vez do bom e velho Lima Barreto lançar alguma luz sobre os acontecimentos, com os seus curtos Contos Argelinos, onde fica, mais uma vez, claro que os problemas da nossa república não são mesmo de agora. Os apadrinhamentos, traições, desumanidades vaidosas, descaso completo com o outro, ignorância odiosa e religiosa, incompetência pura e simples, autoritarismo, está tudo lá, brilhantemente retratado para a posteridade.

Terminei o dia retornando ao inesgotável "Doutor Fausto" de Thomas Mann, escrito na Alemanha da Segunda Guerra Mundial, onde o narrador se refere a ainda outro livro anterior para refletir sobre a sua própria época, "Réflexions sur la Violence"[1], de Georges Sorel, de cujas previsões ele discorda[2]:

"numa era gregária, as discussões parlamentares se revelariam totalmente inadequadas como meios de forjar uma vontade política (...) no futuro as massas deveriam ser providas de ficções míticas, destinadas a desenfrear e ativar as energias políticas, à maneira de primitivos gritos de guerra."

No que pode ser um prenúncio do que culmina hoje com os memes e a polarização simplificada do debate político na era da internet[3], após o domínio completo desse campo pela publicidade ao longo do século 20, a teoria de Sorel prossegue:

"Mitos populares, ou melhor, mitos adaptados à mentalidade das massas, tornar-se-iam doravante veículos do movimento político: fábulas, quimeras, visões fantasmagóricas, que não necessitassem de base alguma na verdade, na razão, na ciência, mas, apesar disso, se mostrassem criativas, determinando o curso da vida e da História, e dessa forma evidenciassem seu poder de realidades dinâmicas."

Hoje, pelo jeito, além de gozar com o pau dos outros e fazer cortesia com o chapéu alheio, nos acostumamos a também pensar sem o nosso próprio cérebro, através de artigos compartilhados ao léu, dos quais lemos apenas o título e no máximo a legenda das figuras e passamos em frente em troca de legitimação intelectual – ou pior, ideológica –, como créditos de carbono para poder continuar poluindo o meio ambiente virtual com os nossos dejetos egocêntricos e resíduo cibernético generalizado. Parece mesmo com o que Sorel chamou de "ficções míticas", enquanto impulsionadoras apenas de um sentimento de declaração partidária primitiva, de "nós contra eles", tratarmos assuntos tão complexos como uma questão de múltipla escolha.

O narrador continua com a conclusão dos seus companheiros de debate, à qual ele se recusa a acreditar, mas nos parece infelizmente atualíssima:

"Esse mundo era ao mesmo tempo antigo e novo, revolucionário e retrógrado. Nele, os valores ligados à ideia do indivíduo – verdade, liberdade, direito, razão – ficariam inteiramente debilitados e rejeitados, ou pelo menos assumiriam um significado totalmente diverso do que tiveram nos séculos precedentes. Desarraigados da pálida teoria, seriam relativados, abastecidos de sangue e em seguida submetidos a uma instância muito superior, à da força, da autoridade, da ditadura da fé – o que não se realizaria de modo reacionário, à maneira de ontem ou anteontem, e sim de uma forma que igualaria uma regressão muito inovadora da Humanidade em direção a estados e condições teocrático medievais. (...) Na política, a direita ia confundir-se cada vez mais com a esquerda."

E de fato, quanto mais se informa mais dúvidas se cria – só a ignorância não titubeia jamais. Enquanto isso, a distopia já se encontra em pleno curso. Mas, ao menos, com as mudanças concretas que vêm ocorrendo em velocidade vertiginosa, talvez nos convençamos (e me incluo) a passar finalmente da ideia para a ação. Afinal, como lembrava o narrador do romance de Mann, já àquela época, "a força oferecia um terreno sólido aos pés: era antiabstrata".

______________________________________________

[1] "Eis um livro que chegou até nós com uma reputação bastante má e uma posteridade incendiária. Sucessivamente, às vezes ao mesmo tempo, extrema direita nacionalista e extrema esquerda revolucionária, fascistas, terroristas, totalitários de todos os matizes invocaram o testemunho das Reflexões sobre a violência. O tema deste livro, encontramo-lo no ponto de interspecção de três conceitos. O primeiro, que pertence à psicologia coletiva e é tido freqüentemente como a contribuição intelectual mais original de Sorel, é o do mito, entendido como uma representação coletiva mobilizadora. O segundo é a violência, mais precisamente o papel da violência nas relações entre classes e no desenvolvimento histórico. O terceiro é tomado das circunstâncias de seu tempo: a idéia de greve geral, como forma enfim descoberta de revolução popular e antiautoritária." 
– do prefácio da editora Martins Fontes (?)

[2] Ou concorda e se assombra por isso. Mais sobre esse trecho aqui.

[3] É claro que isso não é de todo mal, desde que o debate não se resuma a gifs e montagens toscas. É preciso rir também, como bem avaliado nesse artigo do jornal Nexo.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

factótum: demos, 2008

terça-feira, 26 de abril de 2016

músicas ligeiras


Pensa-se imediatamente naquilo a que hoje chamamos «variedades». Mas as variedades são um fenómeno do nosso século, que surge com as indústrias da música (gravação e radiodifusão).
A música de variedades é um caso particular da música ligeira do século XX (as coisas serão provavelmente diferentes no século XXI). Essa música reconhece-se por dois caracteres diferentes:
— um ritmo e uma harmonia elementares, uma escrita de há cem ou duzentos anos (ultra-simplificada) com pormenores de estilo em voga.
— o papel preponderante dos «arranjadores» (orquestradores... e dos intérpretes)

Existiria, em todas as épocas, uma música «ligeira», ao lado da «grande música», da música histórica (não deve dizer-se «música pesada»; é uma piada fácil e estafada)? Certamente. E as diferentes classes sociais tiveram sempre músicas diferentes.
Mas como a música ligeira era menos importante e não tinha ainda o valor comercial de um produto de consumo, não era impressa, nem muitas vezes notada, De resto, ela podia geralmente dispensar a notação: era simples e fácil de reter.
Nas classes populares, principalmente na camponesa, encontrava-se em toda a parte, até ao triunfo das indústrias musicais, uma música de criação popular, mais ou menos improvisada. Transmitida por tradição oral, esta música pertencia ao folclore. Apenas existe no momento em que é tocada. Não se pode, portanto, conhecer a música popular de origem popular, o folclore, antes da invenção do registo sonoro; as notações demasiado tardias são sempre aproximações ou traições. É um círculo vicioso: a gravação é o único meio de conservar o verdadeiro folclore, mas ao mesmo tempo a gravação acaba por destruir o folclore, substituindo-o por uma música comercial! 

(...)

O aparecimento de uma música ligeira escrita é um assunto sério. Pela primeira vez, ela vai entrar em concorrência com a «grande» música, servindo-se dos mesmos meios: a edição, o concerto («music-hall» ou «caf'conc'», (café-concerto)) e em breve a gravação e a rádio. Ao mesmo tempo, cava-se um fosso entre as duas músicas. Não só os seus compositores e os seus intérpretes são diferentes, como também não têm os mesmos locais de audição nem o mesmo publico... Serão dois mundos musicais, com duas maneiras de ser, que se compreenderão cada vez menos. Quanto mais a «grande música» se complica, tanto mais a música ligeira se simplifica. Elas atingirão o seu máximo de diferenciação por volta de 1960: «serialismo» generalizado, por um lado, «yé-yé», pelo outro. O fosso cavado tornar-se-á um abismo intransponível. 

Voltemos à época de Wagner e de Offenbach. Já notaram que a música ligeira é a mais característica de um país e de uma época? Se se quiser evocar Paris em termos de música no tempo de Napoleão III, Viena no tempo de Francisco José, ou Londres na época da rainha Victória, não se pensará nos prestigiosos teatros de ópera de que estas três cidades se orgulham.

_

em
O CONVITE À MÚSICA
Roland de Candé
1982 - Edições 70 (Lisboa) / Livraria Martins Fontes

segunda-feira, 25 de abril de 2016

avant-noise experimental live

terça-feira, 12 de abril de 2016

lançamento

Saiu o novo Chupa Manga Zine! Dia 30 tem lançamento em Porto Alegre.
O flyer aí embaixo é um quadrinho do poster do Gabriel Góes, que acompanha a edição.
Aqui tá o evento, e já dá pra comprar por aqui.


domingo, 10 de abril de 2016

Estimado Sr.                  ,

conforme seu contato no dia 3 do último mês, reafirmamos que o serviço dentário conveniado ainda consta dentro da garantia estendida de seis semanas, sendo por isso perfeitamente possível a troca do item danificado por um novo de igual ou menor valor. Caso deseje apenas o conserto por parte do fabricante, nossa equipe estará pronta para atendê-lo assim que preciso. Para tanto, solicitamos que envie o dente em questão para o endereço impresso no verso deste envelope, onde será devidamente submetido a um rigoroso exame por parte de nossos especialistas, e, não sendo constatado mau uso, devolvido com todas as restaurações em dia e sem qualquer ônus para vossa senhoria. (exceto as despesas postais, naturalmente)

Lembramos que as instruções para extração encontram-se no 28º parágrafo, inciso II (com o perdão do trocadilho), do contrato de adesão.

Atenciosamente,

                  , ,                &                 Odontologia Especializada

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

MÁQUINAS FALANTES

A GUERRA DO VINIL 

(em um passado nem tão distante  -  e nem tão distinto)


do livro
TALKING MACHINES - Some aspects of the early history of the gramophone
de V. K. CHEW (Londres, 1967)


p.34

O mercado de discos estava mesmo fadado a ser dominado pelo disco preto de goma-laca, com corte de agulha e 10 ou 12 polegadas de diâmetro, gravado dos dois lados. A Gramophone Company apresentou um disco de 10 polegadas em 1901 e um de 12 polegadas em 1903, e o primeiro disco a ser gravado em ambos os lados foi o Odeon, importado da Alemanha em 1904. Mas ainda haveria muita experimentação nas cores, materiais, tipo de corte e tamanho antes da padronização ser efetuada. Assim, o "inquebrável" disco vermelho Nicole, introduzido em 1903, foi um fracasso comercial, como também o foi o disco branco com corte fonográfico da Neophone, que trazia uma camada de celulóide sobre a base de papel comprimido, e sobreviveu, com a reorganização periódica da empresa fabricante, de 1904 a 1908. A firma Pathé, quando abandonou o cilindro pelo disco em 1906, também usava o corte fono; a gravação começava no meio em vez de na borda do disco, e era tocada com uma agulha de safira em vez de aço. Nas mãos da Pathé o corte fono foi tecnicamente bem-sucedido e a firma não introduziu um disco com corte de agulha até 1921.
Ao primeiro disco importado da Alemanha, o Odeon, seguiram o Beka, Favorite, Homophone, Lyraphone e outros. A competição entre eles forçou a queda do preço de um disco de 10 polegadas com dois lados de 4 shillings para 2 shillings e 6 pence em 1909, quando a Columbia entrou na batalha tomando o controle da Rena Company e lançando discos de dois lados a esse preço. A Gramophone Company parecia estar à parte da competição; seus preços permaneceram altos e ela não lançou discos de dupla face até 1912, mas sua subsidiária British Zonophone Company, tendo se fundido com a Twin Records em 1911, adentrou e eventualmente dominou a guerra de preços, o que produziu uma crise no setor de 1911 a 1914, enquanto uma enxurrada de novos discos alemães inundava o mercado e o preço do disco de 10 polegadas despencava até 10,5 pence.
A indústria das "máquinas falantes" estava bem servida na época, como sua contraparte hoje, pela imprensa especializada. As publicações Talking Machine News (de 1903), Phonotrader and Recorder (1906) e Sound Wave (1907)  formavam laços valiosos entre fabricantes, comerciantes e o grande público. Nelas, a integridade editorial era teimosamente mantida, por vezes contra forte pressão de anunciantes gananciosos. Uma crítica musical séria focada em discos de gramofone apareceu regularmente pela primeira vez em 1906 na alemã Phonographische Zeitschrift; na Inglaterra não atingiu o alto nível acadêmico e de estilo que agora tomamos por certo em publicações sérias sobre o gramofone até a criação de The Gramophone em 1923. Críticas técnicas, hoje exercidas por engenheiros habilidosos e com o dom da popularização, apareciam largamente em colunas de correspondência e a única qualificação necessária para participar delas parece ter sido o entusiasmo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

noise

domingo, 13 de dezembro de 2015

onde está o riso?

Nas breves alusões a respeito do constructo cômico, a Poética e a Retórica aristotélicas afirmam que são matérias de sustentação do cômico aquelas de natureza infamante. Porém advertem que nem tudo que é ignóbil deve servir ao riso. Dependendo de sua extração e natureza, as matérias baixas servem mais ao horror do que à graça. “A Comédia é Imitação dos Piores; não segundo todo gênero de vício, contudo, ainda que o Ridículo tenha origem no Feio. Pois o Ridículo é, por certa convenção, erro e feiúra sem dor e com o mínimo prejuízo; e a face deformada, distorcida sem dor, surge imediatamente como ridícula.” Contudo, a dificuldade de se estabelecer o que é exatamente “uma deformidade sem dor” levou o próprio Aristóteles, na sua Ética em Nicômaco, a colocar em dúvida se se pode mesmo definir o que seja o ridículo, especialmente porque muitos riem de coisas, na verdade, dolorosas. A resposta a si próprio veio no mesmo livro, na alusão a que algo pode ser doloroso para alguns sem que seja para outros, e o que determina isto é a disposição dos ânimos em cada audiência.

Geraldo Noel Arantes
CAMPOS DE CARVALHO: INÉDITOS, DISPERSOS E RENEGADOS
Dissertação de mestrado em Teoria e História Literária - Unicamp, 2004.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

plunderphonics




Plunderphonics, ou audio-pirataria como uma prerrogativa composicional, foi um termo criado pelo artista John Oswald para seus experimentos sonoros em que desmembrava canções pop, trilhas de cinema e balés famosos utilizando gavadores e técnicas de reprodução alterada para criar novos sons "com a fonte ainda reconhecível".


Para saber mais, leia o artigo Do Dada ao Meme, no Chupa Manga Zine nº1

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

sempre em frente

pelo retrovisor do motorista
é possível enxergar, além da pista,
as vidas passadas dos passageiros
as idas e vindas da espécie humana
o meteoro e a era glacial
a extinção dos dinossauros

tudo isso o motorista vê, mas continua
seguindo o itinerário

terça-feira, 13 de outubro de 2015

mini tour




         o chapa mamba faz uma mini turnê entre 11 e 15 de novembro,
         datas no evento: facebook.com/events/434346410094604/

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

arte e utopia

Cada escritor encontra no outro o seu complemento e a indicação de um horizonte não alcançado ou pretendido. Suas obras constituem como que círculos que se tangenciam, interpenetram, repelem. Cada obra tem na outra uma possibilidade abandonada. Cada uma é o que é porque não quis ou não pôde ser o que a outra é. A identidade se marca pela diferença. Le Livre é o que não há. Ele seria a reunião de todos os pontos máximos alcançados pelas maiores obras. Tais ápices somente são possíveis dentro do princípio organizatório de cada uma das obras, e este não é idêntico em todas. Pelo contrário, ele é basicamente diferenciado. A opção por um caminho significa o abandono de outros. Como em um jogo de xadrês [sic] ou em uma cristalização amorosa, um encaminhamento em um lance determina outros encaminhamentos posteriores, e, em geral, se torna irrecuperável, dentro desse espaço, a opção por outros caminhos.

Flávio R. Kothe, Fundamentos da Teoria Literária vol. I (Ed. UnB, 2002)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

chupa manga zine #1



15 x 17 cm
48 páginas em pólen soft, preto e branco
tiragem 300 exemplares
impresso no inverno de 2015


COMPRE AQUI