terça-feira, 26 de abril de 2016

músicas ligeiras


Pensa-se imediatamente naquilo a que hoje chamamos «variedades». Mas as variedades são um fenómeno do nosso século, que surge com as indústrias da música (gravação e radiodifusão).
A música de variedades é um caso particular da música ligeira do século XX (as coisas serão provavelmente diferentes no século XXI). Essa música reconhece-se por dois caracteres diferentes:
— um ritmo e uma harmonia elementares, uma escrita de há cem ou duzentos anos (ultra-simplificada) com pormenores de estilo em voga.
— o papel preponderante dos «arranjadores» (orquestradores... e dos intérpretes)

Existiria, em todas as épocas, uma música «ligeira», ao lado da «grande música», da música histórica (não deve dizer-se «música pesada»; é uma piada fácil e estafada)? Certamente. E as diferentes classes sociais tiveram sempre músicas diferentes.
Mas como a música ligeira era menos importante e não tinha ainda o valor comercial de um produto de consumo, não era impressa, nem muitas vezes notada, De resto, ela podia geralmente dispensar a notação: era simples e fácil de reter.
Nas classes populares, principalmente na camponesa, encontrava-se em toda a parte, até ao triunfo das indústrias musicais, uma música de criação popular, mais ou menos improvisada. Transmitida por tradição oral, esta música pertencia ao folclore. Apenas existe no momento em que é tocada. Não se pode, portanto, conhecer a música popular de origem popular, o folclore, antes da invenção do registo sonoro; as notações demasiado tardias são sempre aproximações ou traições. É um círculo vicioso: a gravação é o único meio de conservar o verdadeiro folclore, mas ao mesmo tempo a gravação acaba por destruir o folclore, substituindo-o por uma música comercial! 

(...)

O aparecimento de uma música ligeira escrita é um assunto sério. Pela primeira vez, ela vai entrar em concorrência com a «grande» música, servindo-se dos mesmos meios: a edição, o concerto («music-hall» ou «caf'conc'», (café-concerto)) e em breve a gravação e a rádio. Ao mesmo tempo, cava-se um fosso entre as duas músicas. Não só os seus compositores e os seus intérpretes são diferentes, como também não têm os mesmos locais de audição nem o mesmo publico... Serão dois mundos musicais, com duas maneiras de ser, que se compreenderão cada vez menos. Quanto mais a «grande música» se complica, tanto mais a música ligeira se simplifica. Elas atingirão o seu máximo de diferenciação por volta de 1960: «serialismo» generalizado, por um lado, «yé-yé», pelo outro. O fosso cavado tornar-se-á um abismo intransponível. 

Voltemos à época de Wagner e de Offenbach. Já notaram que a música ligeira é a mais característica de um país e de uma época? Se se quiser evocar Paris em termos de música no tempo de Napoleão III, Viena no tempo de Francisco José, ou Londres na época da rainha Victória, não se pensará nos prestigiosos teatros de ópera de que estas três cidades se orgulham.

_

em
O CONVITE À MÚSICA
Roland de Candé
1982 - Edições 70 (Lisboa) / Livraria Martins Fontes

segunda-feira, 25 de abril de 2016

avant-noise experimental live

terça-feira, 12 de abril de 2016

lançamento

Saiu o novo Chupa Manga Zine! Dia 30 tem lançamento em Porto Alegre.
O flyer aí embaixo é um quadrinho do poster do Gabriel Góes, que acompanha a edição.
Aqui tá o evento, e já dá pra comprar por aqui.


domingo, 10 de abril de 2016

Estimado Sr.                  ,

conforme seu contato no dia 3 do último mês, reafirmamos que o serviço dentário conveniado ainda consta dentro da garantia estendida de seis semanas, sendo por isso perfeitamente possível a troca do item danificado por um novo de igual ou menor valor. Caso deseje apenas o conserto por parte do fabricante, nossa equipe estará pronta para atendê-lo assim que preciso. Para tanto, solicitamos que envie o dente em questão para o endereço impresso no verso deste envelope, onde será devidamente submetido a um rigoroso exame por parte de nossos especialistas, e, não sendo constatado mau uso, devolvido com todas as restaurações em dia e sem qualquer ônus para vossa senhoria. (exceto as despesas postais, naturalmente)

Lembramos que as instruções para extração encontram-se no 28º parágrafo, inciso II (com o perdão do trocadilho), do contrato de adesão.

Atenciosamente,

                  , ,                &                 Odontologia Especializada

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

MÁQUINAS FALANTES

A GUERRA DO VINIL 

(em um passado nem tão distante  -  e nem tão distinto)


do livro
TALKING MACHINES - Some aspects of the early history of the gramophone
de V. K. CHEW (Londres, 1967)


p.34

O mercado de discos estava mesmo fadado a ser dominado pelo disco preto de goma-laca, com corte de agulha e 10 ou 12 polegadas de diâmetro, gravado dos dois lados. A Gramophone Company apresentou um disco de 10 polegadas em 1901 e um de 12 polegadas em 1903, e o primeiro disco a ser gravado em ambos os lados foi o Odeon, importado da Alemanha em 1904. Mas ainda haveria muita experimentação nas cores, materiais, tipo de corte e tamanho antes da padronização ser efetuada. Assim, o "inquebrável" disco vermelho Nicole, introduzido em 1903, foi um fracasso comercial, como também o foi o disco branco com corte fonográfico da Neophone, que trazia uma camada de celulóide sobre a base de papel comprimido, e sobreviveu, com a reorganização periódica da empresa fabricante, de 1904 a 1908. A firma Pathé, quando abandonou o cilindro pelo disco em 1906, também usava o corte fono; a gravação começava no meio em vez de na borda do disco, e era tocada com uma agulha de safira em vez de aço. Nas mãos da Pathé o corte fono foi tecnicamente bem-sucedido e a firma não introduziu um disco com corte de agulha até 1921.
Ao primeiro disco importado da Alemanha, o Odeon, seguiram o Beka, Favorite, Homophone, Lyraphone e outros. A competição entre eles forçou a queda do preço de um disco de 10 polegadas com dois lados de 4 shillings para 2 shillings e 6 pence em 1909, quando a Columbia entrou na batalha tomando o controle da Rena Company e lançando discos de dois lados a esse preço. A Gramophone Company parecia estar à parte da competição; seus preços permaneceram altos e ela não lançou discos de dupla face até 1912, mas sua subsidiária British Zonophone Company, tendo se fundido com a Twin Records em 1911, adentrou e eventualmente dominou a guerra de preços, o que produziu uma crise no setor de 1911 a 1914, enquanto uma enxurrada de novos discos alemães inundava o mercado e o preço do disco de 10 polegadas despencava até 10,5 pence.
A indústria das "máquinas falantes" estava bem servida na época, como sua contraparte hoje, pela imprensa especializada. As publicações Talking Machine News (de 1903), Phonotrader and Recorder (1906) e Sound Wave (1907)  formavam laços valiosos entre fabricantes, comerciantes e o grande público. Nelas, a integridade editorial era teimosamente mantida, por vezes contra forte pressão de anunciantes gananciosos. Uma crítica musical séria focada em discos de gramofone apareceu regularmente pela primeira vez em 1906 na alemã Phonographische Zeitschrift; na Inglaterra não atingiu o alto nível acadêmico e de estilo que agora tomamos por certo em publicações sérias sobre o gramofone até a criação de The Gramophone em 1923. Críticas técnicas, hoje exercidas por engenheiros habilidosos e com o dom da popularização, apareciam largamente em colunas de correspondência e a única qualificação necessária para participar delas parece ter sido o entusiasmo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

noise

domingo, 13 de dezembro de 2015

onde está o riso?

Nas breves alusões a respeito do constructo cômico, a Poética e a Retórica aristotélicas afirmam que são matérias de sustentação do cômico aquelas de natureza infamante. Porém advertem que nem tudo que é ignóbil deve servir ao riso. Dependendo de sua extração e natureza, as matérias baixas servem mais ao horror do que à graça. “A Comédia é Imitação dos Piores; não segundo todo gênero de vício, contudo, ainda que o Ridículo tenha origem no Feio. Pois o Ridículo é, por certa convenção, erro e feiúra sem dor e com o mínimo prejuízo; e a face deformada, distorcida sem dor, surge imediatamente como ridícula.” Contudo, a dificuldade de se estabelecer o que é exatamente “uma deformidade sem dor” levou o próprio Aristóteles, na sua Ética em Nicômaco, a colocar em dúvida se se pode mesmo definir o que seja o ridículo, especialmente porque muitos riem de coisas, na verdade, dolorosas. A resposta a si próprio veio no mesmo livro, na alusão a que algo pode ser doloroso para alguns sem que seja para outros, e o que determina isto é a disposição dos ânimos em cada audiência.

Geraldo Noel Arantes
CAMPOS DE CARVALHO: INÉDITOS, DISPERSOS E RENEGADOS
Dissertação de mestrado em Teoria e História Literária - Unicamp, 2004.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

plunderphonics




Plunderphonics, ou audio-pirataria como uma prerrogativa composicional, foi um termo criado pelo artista John Oswald para seus experimentos sonoros em que desmembrava canções pop, trilhas de cinema e balés famosos utilizando gavadores e técnicas de reprodução alterada para criar novos sons "com a fonte ainda reconhecível".


Para saber mais, leia o artigo Do Dada ao Meme, no Chupa Manga Zine nº1

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

sempre em frente

pelo retrovisor do motorista
é possível enxergar, além da pista,
as vidas passadas dos passageiros
as idas e vindas da espécie humana
o meteoro e a era glacial
a extinção dos dinossauros

tudo isso o motorista vê, mas continua
seguindo o itinerário

terça-feira, 13 de outubro de 2015

mini tour




         o chapa mamba faz uma mini turnê entre 11 e 15 de novembro,
         datas no evento: facebook.com/events/434346410094604/

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

arte e utopia

Cada escritor encontra no outro o seu complemento e a indicação de um horizonte não alcançado ou pretendido. Suas obras constituem como que círculos que se tangenciam, interpenetram, repelem. Cada obra tem na outra uma possibilidade abandonada. Cada uma é o que é porque não quis ou não pôde ser o que a outra é. A identidade se marca pela diferença. Le Livre é o que não há. Ele seria a reunião de todos os pontos máximos alcançados pelas maiores obras. Tais ápices somente são possíveis dentro do princípio organizatório de cada uma das obras, e este não é idêntico em todas. Pelo contrário, ele é basicamente diferenciado. A opção por um caminho significa o abandono de outros. Como em um jogo de xadrês [sic] ou em uma cristalização amorosa, um encaminhamento em um lance determina outros encaminhamentos posteriores, e, em geral, se torna irrecuperável, dentro desse espaço, a opção por outros caminhos.

Flávio R. Kothe, Fundamentos da Teoria Literária vol. I (Ed. UnB, 2002)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

chupa manga zine #1



15 x 17 cm
48 páginas em pólen soft, preto e branco
tiragem 300 exemplares
impresso no inverno de 2015


COMPRE AQUI

quarta-feira, 8 de julho de 2015

cinema


O MONSTRO DA LAGOA NEGRA (dir. Jack Arnold, 1954)

por Rubensvaldo Filho


Novamente o imperialismo vem dar as caras para tomar o que é nosso. A comitiva de cientistas americanos metidos a exploradores — e como —, invade a selva amazônica, em convênio com o Instituto de Biologia Marítima, apenas para causar o maior impacto possível ao meio ambiente. Uma escavação irregular — certamente em busca de minérios preciosos — desenterra o fóssil de uma espécie desconhecida, o possível elo perdido e ancestral anfíbio do ser humano. Movidos pelo prestígio que a descoberta causaria na comunidade científica do primeiro mundo, os americanos montam expedição para caçar seu último exemplar vivo. Contratam uma embarcação de pesca sem licença, cujo suspeito capitão se diverte em tocar o apito para espantar os animais ribeirinhos, e navegam rio adentro até o riquíssimo ecossistema onde vivem, além do espécime em questão, centenas de outras espécies não-classificadas pela ciência. Adentrando o habitat intocado, todos os guias indígenas são mortos de forma patética pelo ameaçado (e, por isso, ameaçador) "monstro", enquanto aos cientistas resta mergulhar na lagoa negra colhendo amostras geológicas e depredando a flora nativa. Ao se depararem com o triste animal, decidem envenenar a água — e consequentemente todos os peixes do local — para capturá-lo como prêmio. Enquanto isso, a mocinha contribui com o desastre ambiental atirando as bitucas de seus cigarros do barco. Após destruirem um dique de castores que represava o lago, os invasores perseguem o monstro até o seu ninho, alvejando-o em seguida com tiros de espingarda e levando, enfim, a raríssima espécie à extinção.




    Acima, o anfíbio antropomorfo ajuda a doutora Lawrence a se levantar
    Abaixo, os gananciosos cientistas capturam o espécime envenenado
    No fim, "o monstro da lagoa negra", uma espécie agora extinta





domingo, 10 de maio de 2015

a geração google não sabe
usar o google
é o que diz
a nova pesquisa do google

mas, por outro lado o google sabe
usar a geração google

e muito bem

segunda-feira, 20 de abril de 2015

o artista e a cidade

O artista e a cidade. Pois o artista, diferente do artesão concebido por Platão, não orienta seu trabalho em uma área limitada e definida, segundo o princípio inflexível da divisão do trabalho e do especialismo intransigente que inspira a cidade ideal. Mas, semelhante nisso a Proteo, muda constantemente de fazer, inclusive de ser, até o ponto em que pode definir-se como um indivíduo que pretende ser e fazer todas as coisas. Em razão dessa pretensão sugere o filósofo (Sócrates) sua expulsão da cidade, já que constitui um núcleo permanente de subversão na urbe em que cada indivíduo se acha submetido ao império de uma só atividade, de um só papel social, sem que lhe seja possível modificar essa fatalidade que o condena.
(...)

Apenas em uma cidade, não ideal como a platônica, mas real como a renascentista florentina, pôde-se pensar essa síntese em termos reais, de maneira que nela o artista passara a constituir a figura mesma do homem, o qual, semelhante a Proteo, aparece na filosofia da época como aquele ser que carece de identidade e essência definida. E que por essa razão pode construir, fazer, produzir consigo mesmo qualquer identidade. Na filosofia de Pico della Mirandola aparece implicitamente reintegrado o Artista na Cidade, alcançando-se assim uma síntese que em Platão havia sido cumprida em termos teóricos mas não em termos práticos.

Essa síntese tripla de Eros e Poíesis, de Alma e Cidade, de Arte e Sociedade, sugere assim uma ordem social em que todo homem é artista, e em consequência sujeito erótico e produtor ao mesmo tempo, sem que seja necessário então coroar essa ordem mediante uma superestrutura política e filosófica, desvinculada da base erótico-produtiva.

Quando essa síntese tripla se quebra aparece a esfera anímica desvinculada da esfera social, de maneira que Eros não se prolonga em produção nenhuma, de maneira que Poíesis não acha em Eros nem na Beleza seu princípio e seu fundamento. Surge então o Desejo, conceito moderno que implica essa prévia divisão traçada entre o subjetivo e o objetivo. Desejo o qual, ao não achar-se mediado com a Produção, perde também seu vínculo com o objeto que almeja, Bem ou Beleza. Essa perda faz com que o objeto que lhe é próprio apareça então como eternamente ausente e separado. Apenas mediante a dissolução do sujeito desejante - através da Morte ou da Loucura - resulta possível o reencontro do desejo com seu objeto. Correlativamente surge a Produção, conceito moderno que constitui o objetivo traduzido do Desejo. Essa Produção, esse Trabalho, ao perder seu vínculo com o fundamento, com o princípio, chame-se esse Bem ou Beleza, sofre destino análogo ao Desejo: se constitui em esfera autônoma e separada, sem vínculo com o mundo anímico do sujeito desejante. Em consequência, se torna uma esfera fundada em sua própria inanidade: produção que busca apenas a produção, precipitadamente e sem norte, achando-se nisto, igual ao Desejo, como último horizonte de sua busca também a Morte: horizonte de destruição e desperdício ao qual conduz a produção ensimesmada.

Eugenio Trías
El Artista y la Ciudad, 1976.

domingo, 18 de janeiro de 2015

via burocrática

A essa altura, já estará claro para o leitor que um carimbo com números e brasões tem o poder de oficializar qualquer coisa. Sendo datado, melhor ainda. Conforme o tempo que se tenha esperado na fila por ele, além, é claro, da quantidade de etapas percorridas no caminho e do montante de papelada preenchida — no máximo de vias possível —, valerá mais quanto mais difícil for obtê-lo.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

cocada preta




novo single do próximo disco do chapa mamba, a ser lançado muito em breve.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MMXIV

BREVE RETROSPECTIVA DE 2014

Apesar de cansativo, 2014 foi um ano produtivo. Pude me dedicar um pouco mais à música (cumprindo a resolução do ano anterior), e lancei três discos do Chapa Mamba: o primeiro, auto-intitulado; Le Lab de Lux Sessions, um single gravado em Brasília; e Ipsilone, um split em vinil com a Treli Feli Repi; além de gravar o próximo disco cheio, Banda Forra, que sai em Janeiro. Criei o meu próprio selo, Chupa Manga Recs.; terminei a estréia do projeto Quadrúpede Orquestra, Esculpindo Vento, com meu amigo Mallogro; e lancei alguns trabalhos experimentais: One Band Man e Música de Computador vol.5.

Editei o livro Erre Balada do meu chapa Biu; o FIM de Rafael Sica; dois volumes do Claviculário; ganhamos um HQ Mix pelo Friquinique, do ano anterior; inauguramos a nova sede da Beleléu; publiquei as tiras do Recruta Zero para o Capitão América e seus Amigos; a série Cabeceira, para a Rocco; algumas tiras para a Revista da Cultura; terminei o único exemplar do livro A Humanidade É Um Bêbado Chato Que Não Vai Embora, em carimbo de tipos móveis; e voltei a escrever algumas coisas que se encaminham para um novo projeto.

Muita coisa por vir ainda, mas estamos aí.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

banda forra // teaser

Em janeiro tem disco novo do Chapa Mamba, assista o teaser!




Lançamento em Janeiro / 2015

Chupa Manga Records
chupamanga.bandcamp.com

Desenho | Fabio Zimbres
Animação | Stêvz


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

até o ano que vem

Plantado na fila do supermercado, meus pés começam a doer após algumas horas. A lista é curta, mas feriado de páscoa é assim mesmo, todo mundo comemorando, bacalhau em alta, chocolate por todos os lados. No segundo dia, já desidratado e com câimbras pelo corpo, me vejo forçado a consumir os iogurtes de banana do refrigerador ao lado. Envio uma carta para a patroa, avisando que irei chegar atrasado para a ceia de natal, e que cuide bem dos nossos filhos. Ela promete me visitar diariamente, mas isso não dura mais de algumas semanas. Já com meu endereço atualizado para "fila do caixa vinte e seis", seus cartões-postais começam a rarear e, por fim, cessam após três longos meses. Fico sabendo, depois, que se casou novamente e mudou para o interior. Ao completar o primeiro ano, tive de me ausentar, temporariamente, para trocar alguns itens que já estavam vencidos. Cinco anos depois, chega, afinal, a minha vez. A moça do caixa começa a empacotar as coisas, com muita eficiência, quando me dou conta de que esqueci as batatas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ipsilone

IPSILONE é o nome do split Treli Feli Repi / Chapa Mamba que vamos lançar agora em dezembro. São 3 músicas inéditas de cada banda, em um vinil 7 polegadas lindão, prensado na Polysom.
Esse é o primeiro lançamento em vinil do meu selo Chupa Manga Recs., criado esse ano.

Não é por nada não, mas dá um belo presente de natal. E já está a venda aqui!

O lançamento no Rio é dia 19/12, às 19h, no Escritório (Rua da Constituição, 64 - Centro)





Aproveitando, nosso primeiro disco foi citado nessas listas de melhores do ano:

As melhores músicas de 2014 - Amplificador / O Globo
Melhores álbuns de estréia - Amplificador / O Globo
14 Melhores discos nacionais do ano - O Inimigo / MTV