domingo, 20 de abril de 2014

cabeceira



o dinossauro arrumou um emprego, em cores, e está dando as caras no facebook/instagram da editora rocco em uma campanha para desmistificação do universo dos e-books.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dos enganos, cobranças e implicações metafísicas do gancho

Hipótese a.

Gostaria de deixar um recado pra Dona Iracy: seus cobradores mandam avisar, pela trigésima vez essa semana, que o nome da senhora está na lama, mais sujo que pau de galinheiro, e vai, definitivamente, entrar no Serasa no SPC e na boca do sapo caso não quite as parcelas eternas do crediário. Dos interlocutores já nem lembro mais. Light, Americanas, Casas Bahia, Net, Açougue do Nonô... De ampla gama, é fato, e leque farto: não importa o expediente, não têm o menor pudor em telefonar às 7 da manhã do sábado, às 16:20 de uma terça-feira ou no exato momento em que a panela está no fogo alto e a gente tem que sair correndo para atender e ainda ser paciente com a telefonista, para voltar correndo e encontrar o almoço irremediavelmente queimado. Credora em quinze estados, escapista sem-vergonha, Dona Iracy provavelmente haverá tomado chá de sumiço tão logo pôs os pés na rua, carregada de muamba ‒ não sem antes colocar justamente o número do meu telefone no formulário de cadastro de todas as vinte e sete filiais da loja de piscinas infláveis ou da revendedora de mobiletes usadas, no quinto andar de uma antiga fábrica de tapetes persas que agora funciona como locadora de vídeo. Mas existirá, de fato, Dona Iracy? Não fossem os enganos recorrentes, eu mesmo jamais teria tomado conhecimento de sua mal-falada serventia. Talvez o nome seja, também, falso como o número de telefone que ela inventou para fugir das dívidas. Dona Iracy, inadimplente e malandra, tomou banho de loja, parcelou deus e o mundo no cartão do Seu Gervásio e se mandou, sumiu do mapa. 




Hipótese b.

Dona Iracy é honesta e trabalhadora, mas tem problema de memória. Mudou-se há algum tempo, trocou de telefone e esqueceu de atualizar a lista telefônica. Os atendentes não têm culpa, apenas cumprem ordens. Ligam para cobrar, sim, mas pelo menos não ligam a cobrar. Divagações à parte: ela existe, o número existe, as dívidas e todos nós também, mas sobretudo o tempo. Iracy não foi a primeira, e tampouco serei eu o último detentor dessa sequência específica de algarismos relacionada a um aparelho telefônico. Culpa das privatizações, Fernando Henrique, o Plano Real e a queda do dólar, vai saber. Democratizado o acesso, anos depois, nunca me ligam atrás de mim. Desculpo-me de antemão, diariamente, não, não é do Mercury Hotel, muito menos da seguradora Vital, do açougue do Nonô nem pensar. Os "enganos" são rotineiros. Os horários variam, mas seguirão algum padrão oculto que me escapa? Por vezes curtos e grossos, sequer dão-se ao trabalho de pedir desculpas ou bater dois dedos de prosa. Por exemplo: hoje mesmo chamaram atrás de um certo Antônio, do qual obviamente nunca vi mais gordo, e, à minha negativa sobre ser este o número dele, solicitaram então o seu número e paradeiro atual, ao que foi preciso explicar e provar por a + b que, apesar de possuirmos o mesmo telefone, eu jamais tenha tomado contato ou nutrido qualquer relação (ou mesmo simpatia) com ele e que não, não adiantava ligar novamente, mais duas vezes para ser exato, na esperança de que pela simples repetição o número voltasse a ser dele, embora talvez nunca tivesse sido. O seguro de vida não pode esperar! O ouro está enterrado no... Bato o fone no gancho. Mentira, não o faço, mas deveria. Sou paciente e educado, como me ensinou minha mãezinha, antes de bater as botas no tapete para tirar a poeira. Com a Dona Iracy são ainda mais insistentes, afinal ela está devendo os olhos da cara, com juros e correção monetária, sabe-se lá desde que década. Mas ligam atrás dela com alguma razão, e era esse o ponto em que queríamos chegar, como bem afirmou o teórico Djavan: 

Aparelhos e respectivos proprietários de linhas telefônicas não passam de encarnações passageiras dessas mesmas linhas. Nós passamos, os números ficam. Simples assim. Quando o ponto a direciona uma ligação ao ponto b, ainda que, no momento, c seja o guardião e detentor da referida e hipotética linha, atinge-se, por intermédio e apesar de c, a conexão imaginária pretendida entre os dois espaço-tempos, embora às vezes em outro tempo.

Ora, a telefonia vernacular, por definição, é baseada em sistemas eletro-sonoros, como bem pôde constatar D. Pedro II ao receber o pedido de uma calabresa média sem cebola, enquanto esperava uma ligação de Graham Bell. Feito que as ondas sonoras, apesar de perderem corpo, não dissipam-se completamente no espaço ao longo do tempo; o engano da pizzaria e os cobradores de Dona Iracy atingem as mesmas conexões todas as vezes, em ambos os sentidos, em uma rede intrincada multi-dimensional através do tempo, apesar dos receptores trocados. Dito isso, talvez o meu número de telefone possa ser uma reencarnação direta da mesmíssima linha de D. Pedro II, com toda pompa e circunstância, embora o seu uso tenha sido pateticamente banalizado pelos cobradores de Dona Iracy e o péssimo sistema de reservas do Mercury ‒ apesar de muito possivelmente o verdadeiro número do imperador ter sido "dois", já que recebia a ligação de Graham Bell no aparelho número "um", e caso não se tratasse de trote do inventor concorrente¹, em busca da primeira patente. Por mais lógicas que aparentem ser essas constatações, é curioso notar que me ligam do açougue atrás de Iracy, mas também me ligam (sabe-se lá de onde) atrás do açougue. Esta é, sobretudo, a exceção que comprova a regra, o paradoxo pulsante da digitação telefônica, e minha sina enquanto dono-de-casa. Meu número de telefone teve vidas passadas de glórias, apólices, alcatras. Nos últimos tempos, telemarketing. Nesse caso, ligarão atrás de mim ou de quem for que atenda  não importando a encarnação, seja o hotel, a seguradora, o açougue ou a pobre Dona Iracy , tentando empurrar o novo pacote de canais da tevê sobre a vida dos pinguins em alta definição, 24 horas de gincana e tapetes persas falsificados desde que o mundo é mundo. Não, obrigado, não tenho interesse, veja bem, eu não fico importunando os senhores às 8 da manhã, sim, eu sei, não interessa que seja promoção, por favor não me liguem mais, obrigado, você também, até logo. 




Hipótese c.

Confirmar todos os enganos, anotar as reservas, oferecer a suíte presidencial, ser simpático, dizer que infelizmente só aceitamos rúpias. 




Hipóteses d., e., f., g., h. e i.

Trotar em meio ao caos temporal evidente no sistema telefônico brasileiro  e sequer mencionamos as implicações na telefonia móvel. Discar a esmo e perguntar "quer falar com quem?", ou: tocar o bolero de Ravel sem dizer uma palavra. Quem ouvir até o final certamente haverá de ter algo a dizer. Descobrir o endereço de Dona Iracy. Entregar a pizza a D. Pedro. Deixar o aparelho fora do gancho. Mudar o número do telefone.





* * *



Apêndice: A fenomenologia da linha cruzada

Gilmar pediu a pizzaria em casamento, enquanto Vilma achava "uma calabresa grande" o pior pedido de desculpas que já ouvira, além de proposta muito indecente. Desde este popular conto hindu, é possível perceber a frequência e fascinação exercidas pelo fenômeno conhecido como linha cruzada. De alta ocorrência em construções de uso readaptado pelo advento de "gambiarras" ou ditos "gatos" no sistema telefônico, não serão essas estatísticas, aqui, nosso objetivo de estudo. A linha cruzada de raiz não pode ser explicada e seu interesse metafísico provém, justamente, da ausência de causalidade. Tendo apontado, nos capítulos anteriores, a hipótese da reencarnação de canais telefônicos através do tempo, é de se esperar que listemos o que os teóricos da transcomunicação instrumental chamariam de "ruído gasparzinho" dentre as possíveis explicações para o fenômeno ‒ mas nada disso vem ao caso. O que realmente devemos nos perguntar, diante da observação de algo do tipo, certamente é: por que nunca dizem nada de interessante do outro lado?



Juan Carlos L'Embroma, Costumes Indígenas e Obsolescência Pós-Apocalíptica (1967)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CHAPA MAMBA - S/T (2014) TNR.064






Finalmente saiu o primeiro disco da minha banda, Chapa Mamba, via Transfusão Noise Records.
Ele foi praticamente gravado em 3 dias de 2013, no Interestellar Lo-Fi, mas só agora vê a luz do dia.

É engraçado como, mesmo depois de gravadas, as músicas nunca estão, de fato, prontas. 
Alguns arranjos estão sempre em evolução, e vamos descobrindo novas sutilezas e possibilidades. 
Dito isso, é o que temos pra hoje.

São 10 faixas, algumas delas bem antigas, num total de 31 minutos, e dá pra ouvir tudo aqui: chapamamba.bandcamp.com

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No dia 2 de março tem show no Escritório, pra comemorar o disco e, de quebra, o carnaval.

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ps: saiu uma resenha bem legal no site Miojo Indie


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Música de Computador vol.5



    1. Freelancer Dilema
    2. Coentro É Bom
    3. Dipirona Cafeína
    4. Vibe Enferrujado
    5. Aquilo Roxo
    6. Eu Não Quero Dizer Nada
    7. Tudo É Dor
    (21:21)

    download


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Música de Computador vol.4





Terminando as pendências do ano, aí vai o quarto volume da série.
Esse disco está um pouco mais lo-fi do que os outros, tem uns trechos experimentais, mas na sua maioria são músicas até bonitinhas (na medida do possível).
Toda a coleção requer uma certa persistência do ouvinte, especialmente no que diz respeito ao timbre das obras. Não espere nada que tocaria no rádio.

Dito isso, ouve quem quer:
Música de Computador vol.4 (2013)

O próximo deve sair em breve, é um pouco mais agitado e bem diferente desse.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

arqueologia musical







Escavando velhos HDs, encontrei uma penca de arquivos de composições pré-históricas, experimentos sonoros e primeiras tentativas de gravação em midi. Achei que dariam um bom contraponto à série Música de Computador, apresentando os primórdios dessa onda torta e solitária que, apesar de estimulante, me impulsiona a tocar de verdade, com outros seres humanos. De qualquer forma, uma parcela importante da minha "formação" enquanto músico obscuro, mas esforçado. E de alto valor sentimental, vá lá. Chuif.

Para os bravos:
Música de Computador - Early Works vol.1 (2002-2008)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FRIQUINIQUE + BARATÃO 66 em Brasília



domingo
22 de dezembro
a partir das 15h
no Sindicato
705 sul bloco A casa 35
>> facebook

Stravinsky, música e processo criativo

Prosseguindo na leitura do livro Poética Musical em 6 lições - transcrição de uma série de palestras de Stravinsky na universidade de Harvard em 1939, traduzido por Luiz Paulo Horta -, achei de bom tom compartilhar outros trechos, que tratam desde o processo criativo da composição musical (ou de qualquer outra área) à crítica especializada, além da performance versus a reprodução mecânica, tema já abordado nesse post sobre um texto de Charles Rosen.

Grande parte das considerações do texto, a meu ver, não se aplica exclusivamente à música.
Stravinsky discorre sobre a feitura da arte em geral, e mais especificamente da música, colocando a inspiração em seu devido lugar, como consequência de um envolvimento anterior com o fazer. Defende a importância de regras particulares, limitações auto-impostas para a amplificação da liberdade criadora, e desdenha da aura sobre-humana delegada à figura do artista. É interessante notar, também, a preocupação que ele demonstra com a passividade do ouvinte gerada pelo "excesso de informação" com a difusão musical via rádio, em detrimento da educação musical, isso há mais de 70 anos.

É longo, mas vale a pena.





* * *

Souvtchinsky nos apresenta dois tipos de música: uma deles evolui paralelamente ao processo do tempo ontológico, envolvendo-o e penetrando-o, introduzindo na mente do ouvinte um sentimento de euforia, o que se poderia chamar de "calma dinâmica". O outro tipo vai à frente, ou em direção contrária, desse processo. Não está encerrado em cada unidade total momentânea. Desloca os centros de atração e gravidade, e se estabelece no instável. Esse fato torna-o particularmente adaptável à transposição dos impulsos emotivos do compositor. Toda música em que o desejo de expressão predomina pertence ao segundo tipo. (...) A música que se apóia no tempo ontológico é geralmente dominada pelo princípio da similaridade. A música que adere ao tempo psicológico tende a proceder por contraste. A esses dois princípios que dominam o processo criativo correspondem os conceitos fundamentais de variedade e unidade. Todas as artes recorrem a esse princípio. (...) De minha parte, sempre considerei que, de maneira geral, é mais satisfatório proceder por similaridade do que por contraste. Assim a música ganha força na medida em que não sucumbe às tentações da variedade. O que ela perde em riquezas questionáveis ela ganha em solidez efetiva. O contraste produz um efeito imediato. A similaridade só satisfaz a longo prazo. (...) O contraste está em toda parte. Temos apenas de registrar a sua presença. A similaridade está oculta; é preciso procurar por ela, e ela só se deixa encontrar depois de exaustivos esforços. Quando a variedade me tenta, fico inseguro quanto às soluções fáceis que ela me oferece. A similaridade, por outro lado, coloca problemas mais difíceis mas também oferece resultados mais sólidos e, portanto, mais valiosos para mim. 

(...) A harmonia, tal como é ensinada hoje nas escolas, dita regras que não foram fixadas senão muito tempo depois da publicação das obras em que elas se baseiam, regras que eram desconhecidas para os compositores dessas obras. Daí nossos tratados de harmonia tomarem como ponto de partida Mozart e Haydn, nenhum dos quais jamais ouviu falar em tratados de harmonia.

(...) A maioria dos amantes de música acredita que o que põe em movimento a imaginação criadora de um compositor é um certo distúrbio emotivo geralmente designado pelo nome de inspiração. (...) a inspiração não é de forma alguma condição prévia do ato criativo, e sim uma manifestação cronologicamente secundária. (...) Não está claro que tal emoção é apenas uma reação da parte do criador às voltas com essa entidade desconhecida que ainda é apenas o objeto de sua função criativa, e que deverá tornar-se uma obra de arte? Passo a passo, elo a elo, ele terá a oportunidade de descobrir a obra. (...) Toda criação pressupõe, em sua origem, uma espécie de apetite provocado pela antevisão da descoberta. Esse gosto antecipado do ato criativo acompanha a captação intuitiva de uma entidade desconhecida já possuída mas ainda não inteligível, uma entidade que só tomará forma definitiva pela ação de uma técnica constantemente vigilante. Esse apetite despertado em mim pela simples idéia de colocar em ordem elementos musicais que atraíram a minha atenção não é absolutamente uma coisa fortuita como a inspiração, mas algo de tão habitual e periódico, mesmo não sendo tão constante, quanto uma necessidade natural. 

(...) A palavra artista, que, bastante incompreendida hoje, confere ao que a carrega o imenso prestígio intelectual, o privilégio de ser aceito como puro espírito - esse termo pretensioso é, a meu ver, inteiramente incompatível com a função do homo faber. (...) A idéia de um trabalho a ser feito está, para mim, tão estreitamente ligada à idéia do arranjo dos materiais e do prazer que a confecção concreta da obra proporciona que, se o impossível acontecesse, e a obra de repente me fosse dada numa forma perfeita e completa, eu ficaria embaraçado e perplexo com isso, como ficaria com uma fraude. Temos um dever em relação à música, que é inventá-la. (...) Assim, o que nos interessa aqui não é a imaginação em si mesma, mas antes a imaginação criativa: a faculdade que nos ajuda a passar do nível da concepção para o da realização. Ao longo de meus trabalhos, muitas vezes esbarro em algo inesperado. Esse elemento inesperado me atinge. Tomo nota do que ocorreu, e, no devido tempo, transformo isso em alguma coisa de útil. O dom do acaso não deve ser confundido com aquele lado caprichoso da imaginação que em geral chamamos fantasia. A fantasia implica o desejo prévio de nos abandonarmos a um capricho. Mas a ajuda do inesperado a que acabo de fazer alusão é algo de bastante diferente. É uma colaboração intimamente ligada à inércia do processo criativo, e está repleta de possibilidades que não foram solicitadas e que vêm apropriadamente temperar o inevitável excesso da vontade pura. E é bom que seja assim.

(...) A faculdade de criar nunca nos é dada com exclusividade. Vem sempre acompanhada pelo dom da observação. E o verdadeiro criador pode ser reconhecido por sua capacidade de sempre encontrar à sua volta, nas coisas mais simples e humildes, detalhes dignos de nota. Ele não tem de preocupar-se com uma bela paisagem, não precisa cercar-se de objetos raros e preciosos. Não tem de se pôr a caminho em busca de descobertas: elas estão sempre ao seu alcance. Ele só tem de olhar em volta. Coisas familiares, coisas que estão por toda parte, atraem sua atenção. O menor incidente prende seu interesse e guia suas operações.

(...) Um modo de composição que não estabelece limites a si mesmo torna-se pura fantasia. (...) Vamos chegar a um acordo quanto a essa palavra fantasia. Não pretendo usá-la no sentido associado a uma forma musical definida, mas na acepção que pressupõe um abandono do próprio eu aos caprichos da imaginação. E isso pressupõe que a vontade do compositor esteja voluntariamente paralisada. Pois a imaginação é não apenas a mãe do capricho, como também a serva da vontade criativa. A função do criador é selecionar os elementos que ele recebe daí, pois a atividade humana deve impor limites a si mesma. Quanto mais a arte é controlada, limitada, trabalhada, mais ela é livre. Quanto a mim, sinto uma espécie de terror quando, no momento de começar a trabalhar e de encontrar-me ante as possibilidades infinitas que se me apresentam, tenho a sensação de que tudo é possível. Se tudo é possível para mim, o melhor e o pior, se nada me oferece qualquer resistência, então qualquer esforço é inconcebível, não posso usar coisa alguma como base, e consequentemente todo empreendimento se torna fútil. (...) Superarei esse terror, e encontrarei segurança no pensamento de que tenho à minha disposição as sete notas da escala e seus intervalos cromáticos, que tempos fortes e fracos estão a meu alcance, e que em tudo isso eu possuo elementos sólidos e concretos que me oferecem um campo de experiência tão vasto quanto a perturbação e a vertigem infinita que me assustavam. É nesse terreno que aprofundarei minhas raízes, plenamente convencido de que combinações que têm a seu dispor doze sons em cada oitava e todas as possibilidades rítmicas me prometem riquezas que toda a atividade do gênio humano jamais será capaz de exaurir. (...) Não tenho uso para um liberdade teórica. Dêem-me algo de finito, definido - matéria que pode prestar-se à minha operação apenas na medida em que é proporcional às minhas possibilidades. E essa matéria se apresenta a meu exame acompanhada de suas limitações. Devo, de minha parte, impor minhas próprias regras. (...) No entanto, quem de nós ouviu falar de arte como outra coisa senão o reino da liberdade? Essa espécie de heresia está uniformemente difundida, porque se imagina que a arte está fora dos limites da atividade ordinária. Bem, em arte, como em tudo o mais, só se pode construir sobre uma fundação resistente: aquilo que cede constantemente à pressão acaba por tornar o movimento impossível. Minha liberdade, portanto, consiste em mover-me dentro da estreita moldura que estabeleci parar mim mesmo em cada um de meus empreendimentos. (...) Toda arte pressupõe um trabalho de seleção. Normalmente, quando começo a trabalhar, meu objetivo ainda não está definido. Se me perguntassem o que quero nesse estágio do processo criativo, teria dificuldade em responder. Mas sempre daria uma reposta exata se me perguntassem o que eu não queria.

(...) O perigo, portanto, não reside em copiar clichês. Reside, sim, em fabricá-los e atribuir-lhes força de lei, uma tirania que é simples manifestação de um romantismo decrépito.






* * *

Não pretendo questionar os direitos dos críticos. Ao contrário, o que lamento é que eles o exerçam tão pouco, e muitas vezes de modo tão inapropriado. (...) Na verdade, queremos que ela seja inteiramente livre em seu terreno próprio, que consiste em julgar obras existentes, e não em divagar sobre a legitimidade de suas origens ou intenções. (...) Qual a utilidade, em suma, de atormentá-lo com o por que em vez de procurar por si mesmo o como, e assim estabelecer as razões de seu sucesso ou de seu fracasso? (...) Minha convicção é que o público sempre de mostra mais honesto em sua espontaneidade do que aqueles que se estabelecem oficialmente como juízes das obras de arte. (...) Tenho observado, em meu duplo papel de compositor e intérprete, que quanto menos o público estava predisposto favorável ou desfavoravelmente em relação a uma obra musical, mais saudável eram suas reações à obra, e mais propícias ao desenvolvimento da arte musical.

(...) Por que sempre falamos em música russa em termos de seu caráter russo, em vez de simplesmente em termos de música? Porque é sempre o pitoresco - os ritmos estranhos, os timbres da orquestra, o orientalismo, em suma, a cor local - o que atrai a atenção; porque as pessoas estão interessadas em tudo o que possa compor aquilo que se imagina ser o contexto russo: troïka, vodka, isba, balalaika, pope, boiardo, samovar, nitchevo, e até bolchevismo.


* * *

É necessário distinguir dois momentos, ou melhor, dois estados da música: música potencial e música real. Tendo sido fixada no papel ou retida na memória, a música já existe antes de sua performance efetiva (...) A entidade musical apresenta assim a notável singularidade de englobar dois aspectos, de existir sucessiva e distintamente em duas formas separadas uma da outra pelo hiato do silêncio. (...) O compositor corre um risco inegável a cada vez que sua música é tocada, já que, a cada vez, uma competente apresentação de sua obra depende de fatores imprevisíveis e imponderáveis, que se combinam para produzir as qualidades de fidelidade e simpatia sem as quais a obra será irreconhecível em determinada ocasião, inerte em outra, e, em qualquer situação, traída. (...) Obviamente, não é sem razão que os piores intérpretes normalmente se agarram aos românticos. Os elementos extramusicais espalhados através dessas obras são um convite à traição, ao passo que uma partitura na qual a música parece não expressar nada além de si mesma resiste melhor a tentativas de deformações literárias.

(...) O dançarino é um orador que fala uma linguagem muda. O instrumentista é um orador que fala uma linguagem não articulada. A um, como a outro, a música impõe um comportamento estrito. Pois a música não se move no abstrato. Sua tradução em termos práticos exige precisão e beleza: os exibicionistas sabem disso muito bem.






* * *

Infelizmente, ainda existe uma outra atitude em relação à música, que difere tanto da do ouvinte que se entrega à co-elaboração da música - participando do processo de criação e seguindo-o passo a passo - quanto da atitude do ouvinte que tenta docilmente caminhar junto à música: pois agora precisamos falar da apatia ou da indiferença. Esta é a atitude dos esnobes, dos falsos entusiastas que vêem num concerto ou numa interpretação exclusivamente uma oportunidade de aplaudir um grande regente ou um famoso virtuose. Temos apenas de olhar um momento para aqueles rostos "cinzentos de tédio", segundo a expressão de Debussy, para medir o poder que tem a música de induzir a uma espécie de idiotia aqueles infelizes que escutam sem ouvir. Aqueles de vocês que me deram a honra de ler as Chroniques de ma vie talvez se lembrem de que acentuo esse aspecto em relação à música mecanicamente reproduzida. A difusão da música por todos os meios possíveis é, em si mesma, uma coisa excelente; mas espalhando-a em todas as direções sem tomar certas precauções, oferecendo-a displicentemente a um público que não está preparado para isso, deixa-se esse público exposto a uma saturação mortal.

(...) Hoje, o rádio faz a música invadir os lares a todas as horas do dia ou da noite. Poupa o ouvinte de qualquer esforço que não seja o de girar um botão. Ora, o sentido musical não pode ser adquirido ou desenvolvido sem exercício. Em música, como em tudo o mais, a inatividade leva pouco a pouco à paralisia, à atrofia das faculdades. Entendida dessa maneira, a música se transforma numa espécie de droga que, longe de estimular a mente, só consegue paralisá-la e embotá-la. Assim, ocorre que o próprio esforço de fazer as pessoas gostarem de música, proporcionando-lhes uma oferta cada vez mais vasta, muitas vezes não faz senão essas pessoas perderem o seu apetite pela música para a qual se pretendia despertar o interesse e o gosto.






quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

T.O.C.

tenho mania de ler os meus textos traduzidos porcamente pelo google
rever possibilidades de interpretação
e significados ocultos

ouvir as minhas gravações aceleradas, ao contrário, do avesso
em outros tempos e outros tons
enxergar tudo por todos os lados

inverter os arquivos de imagem
as cores os traços
a figura e o fundo

pirar na gestaltung das minhas coisas
os universos paralelos possíveis

dimensões habitáveis inexploradas
diferentes, mas semelhantes
versões alternativas de ideias materializadas em algo
os dois, os vários lados da moeda

rever com o outro lado do cérebro
anagramas espelhados da minha própria criação

decifrar tudo
analisar
se o conteúdo permanece ou se esvai
sob outra perspectiva

e que novos sentidos emergem
na sopa de letrinhas
nas peças do quebra-cabeça

talvez daí minha necessidade 
de dar sentido às coisas
editar
montar ordens arbitrárias
procurar as ligações
ligar os pontos

quando eu era moleque tinha o costume
e talvez ainda tenha
de ficar repetindo as palavras, baixinho
ao contrário
letra por letra
das frases que ouvia
e que quase não falava, ocupado em que estava repetindo
e repetindo
e parecia que se eu parasse de repetir e inverter as letras
as sílabas
o mundo iria ruir,
eu mesmo iria
cair
romper
en trar trar rart em cri se cri irc se es

anos mais tarde, aprendi o dialeto
da turma
que consistia em inverter as sílabas
das palavras
a-ti-sis-con em ter-ver-in as bas-la-si
das vra-la-pas

mais uma regra para a minha obsessão

agora
vou rever
esse texto
ao contrário
e de cabeça pra baixo
travestido no google translator
em inglês francês e espanhol
quiçá em esperanto
toranpees
espanto
espeto
espelho
bedelho

a fonética das palavras também me atrai
magnética
uma palavra puxa
a outra
que puxa
a seguinte

requinte
requente
requebre
rebente
repente
relento
relato

a sequência resultante acaba contando uma história
involuntária

narrativas
de livre associação
como método científico e psicológico
diriam

mas aí acaba a graça

domingo, 1 de dezembro de 2013

todos na rua, 2ª edição




Para além do velho papinho de que não há espaço para se tocar no Rio de Janeiro, ou de que nada acontece fora dos parcos holofotes do independente legalizado e bonitinho new-mpb, ou do experimentalismo hermético (isso sem mencionar o samba, o mainstream-mainstream, o funk e o radinho de pilha), o Todos na Rua explora o caminho do meio e mostra a cara de uma cena rock quase invisível -  mas com fiéis apreciadores -, no Rio de Janeiro, sem o aval de ois efe-emes, deques discos, estúdios erre-jotas, circos voadores ou de pautas no segundo caderno (nada contra, não é esse o ponto).

A Transfusão Noise Records, em 10 anos de estrada e mais de 60 discos no catálogo - muitos deles inteiramente gravados no Interstellar Lo-fi, o lendário estúdio em um pequeno quarto em São João de Meriti -,  conta com uma infinidade de bandas em seu elenco e promove, nesse domingo, a segunda edição desse evento com palco ao ar livre e entrada franca. No melhor estilo faça-você-mesmo, independente de apoio governamental, de casas de show, patrocinadores, modinhas ou qualquer mídia tradicional; depende-se aqui, exclusivamente, das condições meteorológicas, da vontade do público, e do suor e equipamentos das próprias bandas. Na raça, fera. O evento traz muita música e boas vibes para os ares abandonados do domingo no Saara, pertinho da Praça Tiradentes.
Quem for, verá.




domingo
08/dez, 14h
Todos na Rua / Transfusão Noise Records
Rua Luis de Camões esquina com Gonçalves Lêdo
(próximo à praça Tiradentes)
Centro
Rio de Janeiro (RJ)




poética musical

Vivemos um período em que a condição humana passa por profundas transformações. O homem moderno vem perdendo progressivamente a sua compreensão dos valores e o seu senso de proporções. Essa inaptidão para entender realidades essenciais é extremamente séria, levando de modo infalível à violação das leis fundamentais do equilíbrio humano. No domínio da música, as consequências desse equívoco são as seguintes: por um lado, existe a tendência de afastar o espírito do que chamarei de alta matemática da música, de modo a degradá-la a uma utilização servil, de vulgarizá-la adaptando-a às exigências de um utilitarismo elementar - como logo veremos ao examinar a música soviética. Por outro lado, como o próprio espírito está enfermo, a música de nosso tempo, especialmente a música que advém de si mesma e que se crê pura, traz com ela os sintomas de um defeito patológico, e espalha os germes de um novo pecado original. (...)

Vamos lembrar o que está escrito: Spiritus ubi vult spirat (São João 3:8); "O espírito sopra onde quer". O que é preciso reter nessa proposição é sobretudo a palavra QUER. O espírito está, assim, dotado da capacidade de querer. O princípio da volição especulativa é um fato.

Ora, é justamente esse fato que se pretende agora contestar. As pessoas questionam a direção que o vento do Espírito está tomando, não a correção do trabalho do artista. Assim fazendo, sejam quais forem os seus sentimentos para com a ontologia, sejam quais forem as filosofias e as crenças que abracem, vocês devem admitir que estão realizando um ataque à própria liberdade do espírito - quer vocês escrevam essa grande palavra com letra maiúscula ou não. (...)

Seria bom observar que nunca há qualquer discussão quando o ouvinte extrai prazer da obra que está ouvindo. O menos informado dos melômanos apega-se de bom grado à periferia de uma obra; ela lhe agrada por motivos que, na maioria das vezes, são totalmente alheios à essência da música. Esse prazer lhe basta, e não demanda qualquer explicação. Mas caso aconteça de a música lhe causar desprazer, nosso melômano lhe pedirá uma explicação para o seu desconforto. Pedirá que expliquemos algo que é, em sua essência, inefável.

Pelo fruto nós julgamos a árvore. Julguem, então, a árvore por seus frutos, e ignorem as raízes. A função justifica o órgão, por estranho que o órgão possa parecer aos olhos dos que não estão acostumados a vê-lo funcionar. Os círculos esnobes estão recheados de pessoas que, como um dos personagens de Montesquieu, se admiram de que alguém possa ser persa. Eles sempre me fazem pensar na história do camponês que, vendo um dromedário no zoológico pela primeira vez, examina-o cuidadosamente, balança a cabeça e, já a ponto de sair, diz, para grande diversão dos presentes: "Não é verdadeiro".

É assim, através do pleno exercício de suas funções, que uma obra se revela e se justifica. Estamos livres para aceitar ou rejeitar esse exercício, mas ninguém tem o direito de questionar o fato de sua existência.

Igor Stravinsky, Poética Musical (em 6 Lições), Jorge Zahar, 1996; cap. 3, A Composição da Música.

domingo, 10 de novembro de 2013

FIQ 2013


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Parto essa semana para o FIQ 2013, em Belo Horizonte, representando a Beleléu junto com os amigos da Samba, Prego e A Bolha, na versão atual do já clássico estande DEPENDENTES. Procurem pelo brilho de neon vermelho (é sério!). De lançamentos, Friquinique e Baratão 66, para fechar o ano com chave de ouro e elevar nosso suado catálogo à décima primeira publicação. Vai ser bonito, e além disso, nossos amigos mineiros já preparam o concorrido baile dos dependentes deste ano, onde haverá, dentre outras coisas, uma possível aparição do excêntrico Jerônimo Johnson, diretamente de 2008.

Entre os dias 23 e 25 será a vez de lançarmos os livros em São Paulo (data exata a confirmar).
Stay tuned.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

happening da transfusão @ audio rebel


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sábado
2 de novembro
18h / $10

com
chapa mamba
lê almeida
the john candy

@ audio rebel
visconde silva 55
botafogo

evento no facebook

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

FRIQUINIQUE: última semana de pré-venda

Esta é a última semana de pré-venda do livro FRIQUINIQUE!
Até sábado ainda dá pra comprar com um descontão e surpresinhas aqui: http://belel.eu/friquipre
Depois disso, estaremos no FIQ e a loja entra em recesso até o fim de novembro.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento


Trecho da minha história para o zine Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento, título extra da serie FRIQUINIQUE, que sai em livro mês que vem. O zine traz quatro histórias inéditas, com tiragem limitada de 80 exemplares. Tudo isso está em pré-venda na loja da Beleléu.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

lançamento em brasília

Lanço meu livrinho A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É amanhã, em Brasília



sábado, 28 de setembro
das 15h às 20h
no SINDICATO
705 sul bloco A casa 35

entrada franca

evento no facebook

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

FRIQUINIQUE

Andei sumido, confesso, mas estive ocupado. Um dos motivos foi o livro do Friquinique, projeto antigo com Rafael Sica, Eduardo Medeiros e Elcerdo, que finalmente vai ver a luz do dia em um glorioso livro com capa dura. Sempre sonhei em fazer um livro com capa dura, mas é um luxo que costuma encarecer demais os projetos. Bem, esse merecia. Além disso, o livro virá com uma sobrecapa que se desdobra em um posterzão 80 x 60 cm, e 4 encartes com histórias inéditas, de 16 páginas cada. Não vai ficar barato, mas resolvemos bancar a empreitada com o suado caixa da Beleléu, resistência independente de subsistência editorial. Confesso, em um momento de deslumbramento cogitamos abrir um famigerado crowdfunding para conseguir levantar o montante necessário. Porém, após uma profunda pesquisa o mecanismo revelou-se insatisfatório para nossos ideais. Explico: além de o processo ser um projeto em si mesmo, de divulgação, administração de recompensas, produção de vídeo e assim por diante - com o agravante de os autores morarem em 3 estados diferentes -, além da suave taxa de intermediação da plataforma, teríamos que estabelecer como meta O DOBRO do que de fato precisamos para a impressão. Cientes disso, decidimos bancar a coisa toda, como temos feito desde o começo. Que fique claro então, caríssimos leitores, que os autores só levarão algum tostão após o retorno do investimento, do lucro líquido resultante da venda de pelo menos 300 exemplares. Ou seja, nos ajudem! Comprem o livro na pré-venda, com um lindo desconto, e o recebam no conforto de seus lares, investindo diretamente no suor dos autores e do editor - aqui sim, sem intermediários! Além do livro, faremos um zine inédito com edição limitada chamado "Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento", com 4 histórias sobre momentos diferentes da vida do mesmo personagem; e, para bolsos apertados, disponibilizamos os encartes em edições artesanais como teaser. Possivelmente teremos mais algumas surpresas pela frente, até o dia 2 de novembro, fim da pré-venda. E de 13 a 17 de novembro lançaremos o Friquinique oficialmente durante o FIQ, em Belo Horizonte, com a presença dos autores (junto com o novo livro de Bruno Azevêdo, em co-edição com a maranhense Pitomba, mas isso é outra história). Ufa.

          
[pré-venda] Friquinique



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

crítica imaginária

últimos exemplares do meu zine Caderno de Cinema à venda na loja da Beleléu.
quando esgotar, subo uma versão digital.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

claviculário



estou organizando uma coleção de chaves de desenhistas em claviculario.tumblr.com
novas postagens às segundas-feiras.

acho bem interessante esse lance, do que cada um leva no bolso - cada um, guardião de portais pessoais e coletivos: a organização e hierarquia nos chaveiros, as chaves sem propósito, os apetrechos e penduricalhos, os tipos de chaves e fabricantes, e a ilusão de que elas realmente protegem alguma coisa.

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lembrando que o meu novo livro A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É, está em pré-venda até este domingo (18).

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É

pré-venda até o dia 18 de agosto!
clique aqui



lançamento nos dias 10 e 11 de agosto, durante a feira pão de forma (botafogo, rio de janeiro)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

feira tijuana (sp)


neste fim de semana acontece a 5ª feira de arte impressa tijuana, em são paulo, e estarei lá com um mesa da beleléu.



27 e 28 de julho (sábado e domingo)
das 12h às 20h
Casa do Povo
Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro, São Paulo
Entrada Gratuita

mais informações: http://cargocollective.com/tijuana/5-FEIRA-DE-ARTE-IMPRESSA-TIJUANA

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fora o nosso catálogo, preparei 3 zines exclusivamente para o evento, com tiragem limitadíssima de vinte exemplares cada (além dos três últimos raríssimos exemplares de cabeça dinossauro, descobertos por exploradores búlgaros há algumas semanas).




vamos a eles:

CADERNO DE CINEMA | crítica imaginária
por Rubensvaldo Filho

16 páginas em jato de tinta preto sobre papel jornal, formato A5.




Para quem, como eu, tenha fetiche por papel jornal. Vocês não sabem o trabalho que deu para imprimir esse zine. Foi preciso fazer uma página por vez, torcendo para a impressora não mastigar completamente as folhas. Psicografado por Stêvz.

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ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DA BATATA
edição revista e ampliada vol. 39

16 páginas em PB laser, formato A6.




Um inventário de batatas imaginárias, publicado originalmente na revista peruana Carboncito #16. Acompanha relato da Embrapa sobre clones de batata geneticamente modificados.

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ENTRE SEM BATER
um poema vingativo

8 páginas em PB laser, formato A7.




Impresso para aproveitar a sobra de papel do zine anterior, este breve poema divaga sobre a sala de espera ideal (para torturar quem espera).

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 é isso, apareçam!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

o retorno do chapa mamba

domingo, dia 21, se não chover, tem show na rua, no centro do rio, com várias bandas da transfusão noise records - inclusive a minha, chapa mamba. pra completar, é de graça!


        cartaz por lê almeida

pra quem não sabe, vamos lançar um disco, em breve, pela transfusão.
essa gravadora, comandada pelo carioca lê almeida, na raça, tem mais de 50 discos no catálogo, a maioria gravado no quarto/estúdio do lê - o lendário interestellar lo-fi, uma porrada de bandas no cast, e movimenta a cena independente da baixada fluminense há exatamente dez anos.

evento no facebook

terça-feira, 16 de julho de 2013

mixtape


WEIRD MUSIC vol.3

Bradford Reed Analog Vs. Mothra
Pierre Henry Limonaire
Yellow Magic Orchestra Bridge Over Troubled Music
John Oswald Anton Webern - Ten4
The Residents Secrets
Thee Oh Sees Weird Bit
Frank Zappa Zanti Serenade
The Residents Perfect Love

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