sábado, 20 de junho de 2009

cara-o-quê?

...As letrinhas na tela passam mais depressa do que eu esperava, mas não importa, sei os versos de cor, só não entendo o que diabos a foto dos alpes suíços faz lá no fundo, seguida pelas bahamas e dançarinas de hula-hula, como num álbum de fotografias de viagens internacionais que nunca farei. Dane-se, fecho os olhos e solto a voz, que só aparece nessa hora, reverberando pelas paredes pelas mesas e até na calçada lá fora, na canção mais velha do que eu, do que todos nós, cortando o ar incoerente dessa noite.
...As mulheres gritam, garrafas se quebram, mesas tombam, eu devo estar sendo mesmo um sucesso com esse microfone e o copo na mão, o colarinho aberto, e tão embriagado de sucesso que mal percebo a briga que já toma conta de metade do salão. Dois panacas bêbados se socam desajeitadamente, um cantou desafinado a mulher do outro, o público gira ao redor, esquivando-se, apostando, torcendo, vaiando, todos dançam conforme a dança e a canção que eu canto, e não paro, só paro quando ela acabar, paguei a ficha e é esse o meu direito. Um deles levanta uma cadeira, é o auge da batalha, justamente no refrão, me empenho nos agudos, lá vem, os garçons tentam apartar os combatentes dançarinos, seguro a nota lá no alto, chega a polícia, a sirene em contraponto, a música quase no fim, canto o último verso já algemado junto aos outros, aplaudido de pé pelo delegado que aproveita a confusão para fugir sem pagar a conta.

2 comentários:

All 4 Y.:. disse...

mlk e o nosso saosomrassrrsr

ê. disse...

hein?