quinta-feira, 20 de agosto de 2009

20ago09-quinta

os vizinhos se encontram no elevador
apresentam-se
dão bom dia uns aos outros
apertam o botão do seu andar
evitam cruzar o olhar
e depois batem na porta da gente reclamando da infiltração no banheiro que acontece de cair bem em cima dos vasos de plantas
que, regadas todos os dias, estão mais vivas e fortes do que nunca

o cacto
no meio da sala de jantar
espinhudo
espinhento
seco seco
desértico
lembra a gente que a água é o menor dos nossos problemas

o chinelo é o biquini do pé

o mar é o correio dos náufragos

a importante das palavras ordem é

a fumaça é o fantasma do cigarro

o relâmpago é a idéia da nuvem

o acento é a lâmpada da idéia

a música é a pausa do silêncio

o guarda-chuva é a bengala de vestido

era um proctologista cheio de dedos

a dentadura sorria no copo

a solidão é sempre maior que a encomenda

a morte, coitada,
não é malvada não
é funcionária pública burocrata
que tem de fazer relatório e bater o cartão
no final do expediente
e quando está de férias ou no cafezinho
também dá uma folga pra gente

gato e sapato sem prato nem rato

os vizinhos moram dentro da janela

a buzina buzina

bibi
fonfón
bebé

pulou do prédio

stravinsky

a 500 pés lembrou do pára-quedas

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