segunda-feira, 20 de agosto de 2012

enfim, uma crítica elevada


Fundada nas exóticas selvas brasileiras no dia de finados de 2010, a banda Chapamamba vem desenvolvendo, desde então, um trabalho musical curioso: através de sua instrumentação reduzida, e talvez por causa dela, arranjos incomuns sustentam as canções das influências mais diversas, explorando a aparente limitação de ordem numeral. A banda extrapola as suas restrições, buscando caminhos pouco usuais e soluções criativas na música, sem perder a pegada convencional ou enveredar demais em experimentalismos herméticos. A formação binária multiplica-se ainda nas vozes, por vezes transformando o duo em um quarteto ritmo-harmonia-melodias vocais. Mas apesar do evidente refinamento e cuidado harmônico empregado pela dupla, sua formação reduzida guitarra/bateria e timbres distorcidos remetem basicamente ao rock primitivo, ao blues de garagem, aos one-man-bands e à filosofia e estética punk do faça-você-mesmo. E é ao vivo, cara a cara, que a presença musical dos rapazes pode ser claramente percebida em todo o seu significado. Chapamamba preenche a lacuna do underground audível ao mainstream inaudível, traduzindo-se numa autêntica banda de post-hoc, na acepção mais pura do termo.


Zanzi Frånvarande, crítico musical
WORLD MUSIK MAGAZINE
Bulgária, junho de 2012







Nenhum comentário: