Alô meu povo! Abram alas que aí vem o desfile das campeões desse ano. Os participantes demonstram criatividade nas alegorias, as alegrias estão ampliadas, as alergias estão empoladas, e os enredos mais relevantes do que nunca: a humanidade e o iogurte desnatado, os robôs e o desodorante aerosol, os dinossauros e as batatas fritas sem gordura trans, os extraterrestres e as milhas de cartão de crédito, para citar alguns dos temas escolhidos. Rufem os tambores, repiniquem os repiniques e equilibrem os pandeiros, as passistas adentram a avenida a passos largos, o mestre-sala e a porta bandeira rodopiam cortejando os turistas, enquanto o primeiro carro da comissão de frente axalta os patrocinadores. A bateria está animada, a rainha comanda os algoritmos dos tamborins, as celebridades acenam dos camarins e o busto do prefeito balança mas não cai do topo da pirâmide de isopor. Os homenageados deste ano sorriem na primeira fila, os carnavalescos abanam as teses de doutorado, os jurados abusam dos adjetivos, o confete toma conta do salão. É a maior festa do mundo, transmitida ao vivo e em cores, purpurina e lantejoulas, via satélite de três dimensões, por todas as agências de turismo espacial. A estimativa é de 7 bilhões de foliões saindo pelo ladrão, e o sambódromo já ficou pra trás faz tempo.
O bloco invade a rua, os guardas de trânsito controlam o cruzamento dos carros alegóricos, a confusão avança em marcha lenta, os ambulantes vendem cerveja quente e apólices de seguro, os semáforos piscam desnorteados. Lá vem o carro dos bombeiros fantasiados apagar o fogo da multidão, já estamos quase na quarta-feira, os políticos aproveitam para fazer campanha, o desfile da santa se choca com a procissão dos deputados, e lá vem o comício da escola em marcha ré, pra complicar ainda mais a situação. O horário de verão desiste de vez, a multidão se revolta e enforca todos os feriados em praça pública, o jornal faz vista grossa e se prepara para anunciar o resultado do bicho, diretamente do barracão presidencial: nota dez.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
222 sueños ilustrados
O camarada Roger Omar me chamou para participar do seu projeto el monstruo de colores no tiene boca, que convida desenhistas do mundo inteiro para ilustrar sonhos de crianças.
Esses são dois testes de cor para a minha colaboração.
Para ver a versão final, e o texto que eu escolhi, clique aqui.
Esses são dois testes de cor para a minha colaboração.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
pedra no sapato
Participantes: Apenas um. Performance individual.
Execução: O participante deve começar colocando uma pedrinha no sapato, e andar com ele o dia inteiro. Nos dias seguintes, aumenta-se gradativamente o tamanho da pedra e diminui-se o número do sapato, e assim sucessivamente.
Duração: Até a pedra tornar-se maior que o sapato.
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