sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Música de Computador vol.4





Terminando as pendências do ano, aí vai o quarto volume da série.
Esse disco está um pouco mais lo-fi do que os outros, tem uns trechos experimentais, mas na sua maioria são músicas até bonitinhas (na medida do possível).
Toda a coleção requer uma certa persistência do ouvinte, especialmente no que diz respeito ao timbre das obras. Não espere nada que tocaria no rádio.

Dito isso, ouve quem quer:
Música de Computador vol.4 (2013)

O próximo deve sair em breve, é um pouco mais agitado e bem diferente desse.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

arqueologia musical







Escavando velhos HDs, encontrei uma penca de arquivos de composições pré-históricas, experimentos sonoros e primeiras tentativas de gravação em midi. Achei que dariam um bom contraponto à série Música de Computador, apresentando os primórdios dessa onda torta e solitária que, apesar de estimulante, me impulsiona a tocar de verdade, com outros seres humanos. De qualquer forma, uma parcela importante da minha "formação" enquanto músico obscuro, mas esforçado. E de alto valor sentimental, vá lá. Chuif.

Para os bravos:
Música de Computador - Early Works vol.1 (2002-2008)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FRIQUINIQUE + BARATÃO 66 em Brasília



domingo
22 de dezembro
a partir das 15h
no Sindicato
705 sul bloco A casa 35
>> facebook

Stravinsky, música e processo criativo

Prosseguindo na leitura do livro Poética Musical em 6 lições - transcrição de uma série de palestras de Stravinsky na universidade de Harvard em 1939, traduzido por Luiz Paulo Horta -, achei de bom tom compartilhar outros trechos, que tratam desde o processo criativo da composição musical (ou de qualquer outra área) à crítica especializada, além da performance versus a reprodução mecânica, tema já abordado nesse post sobre um texto de Charles Rosen.

Grande parte das considerações do texto, a meu ver, não se aplica exclusivamente à música.
Stravinsky discorre sobre a feitura da arte em geral, e mais especificamente da música, colocando a inspiração em seu devido lugar, como consequência de um envolvimento anterior com o fazer. Defende a importância de regras particulares, limitações auto-impostas para a amplificação da liberdade criadora, e desdenha da aura sobre-humana delegada à figura do artista. É interessante notar, também, a preocupação que ele demonstra com a passividade do ouvinte gerada pelo "excesso de informação" com a difusão musical via rádio, em detrimento da educação musical, isso há mais de 70 anos.

É longo, mas vale a pena.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

feira breve (sp)


FEIRA BREVE
sábado, 14 de dezembro
a partir das 14:30
rua joão ramalho 1406
perdizes

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

T.O.C.

tenho mania de ler os meus textos traduzidos porcamente pelo google
rever possibilidades de interpretação
e significados ocultos

ouvir as minhas gravações aceleradas, ao contrário, do avesso
em outros tempos e outros tons
enxergar tudo por todos os lados

domingo, 1 de dezembro de 2013

todos na rua, 2ª edição




Para além do velho papinho de que não há espaço para se tocar no Rio de Janeiro, ou de que nada acontece fora dos parcos holofotes do independente legalizado e bonitinho new-mpb, ou do experimentalismo hermético (isso sem mencionar o samba, o mainstream-mainstream, o funk e o radinho de pilha), o Todos na Rua explora o caminho do meio e mostra a cara de uma cena rock quase invisível -  mas com fiéis apreciadores -, no Rio de Janeiro, sem o aval de ois efe-emes, deques discos, estúdios erre-jotas, circos voadores ou de pautas no segundo caderno (nada contra, não é esse o ponto).

A Transfusão Noise Records, em 10 anos de estrada e mais de 60 discos no catálogo - muitos deles inteiramente gravados no Interstellar Lo-fi, o lendário estúdio em um pequeno quarto em São João de Meriti -,  conta com uma infinidade de bandas em seu elenco e promove, nesse domingo, a segunda edição desse evento com palco ao ar livre e entrada franca. No melhor estilo faça-você-mesmo, independente de apoio governamental, de casas de show, patrocinadores, modinhas ou qualquer mídia tradicional; depende-se aqui, exclusivamente, das condições meteorológicas, da vontade do público, e do suor e equipamentos das próprias bandas. Na raça, fera. O evento traz muita música e boas vibes para os ares abandonados do domingo no Saara, pertinho da Praça Tiradentes.
Quem for, verá.




domingo
08/dez, 14h
Todos na Rua / Transfusão Noise Records
Rua Luis de Camões esquina com Gonçalves Lêdo
(próximo à praça Tiradentes)
Centro
Rio de Janeiro (RJ)




poética musical

Vivemos um período em que a condição humana passa por profundas transformações. O homem moderno vem perdendo progressivamente a sua compreensão dos valores e o seu senso de proporções. Essa inaptidão para entender realidades essenciais é extremamente séria, levando de modo infalível à violação das leis fundamentais do equilíbrio humano. No domínio da música, as consequências desse equívoco são as seguintes: por um lado, existe a tendência de afastar o espírito do que chamarei de alta matemática da música, de modo a degradá-la a uma utilização servil, de vulgarizá-la adaptando-a às exigências de um utilitarismo elementar - como logo veremos ao examinar a música soviética. Por outro lado, como o próprio espírito está enfermo, a música de nosso tempo, especialmente a música que advém de si mesma e que se crê pura, traz com ela os sintomas de um defeito patológico, e espalha os germes de um novo pecado original. (...)

domingo, 10 de novembro de 2013

FIQ 2013


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Parto essa semana para o FIQ 2013, em Belo Horizonte, representando a Beleléu junto com os amigos da Samba, Prego e A Bolha, na versão atual do já clássico estande DEPENDENTES. Procurem pelo brilho de neon vermelho (é sério!). De lançamentos, Friquinique e Baratão 66, para fechar o ano com chave de ouro e elevar nosso suado catálogo à décima primeira publicação. Vai ser bonito, e além disso, nossos amigos mineiros já preparam o concorrido baile dos dependentes deste ano, onde haverá, dentre outras coisas, uma possível aparição do excêntrico Jerônimo Johnson, diretamente de 2008.

Entre os dias 23 e 25 será a vez de lançarmos os livros em São Paulo (data exata a confirmar).
Stay tuned.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

happening da transfusão @ audio rebel


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sábado
2 de novembro
18h / $10

com
chapa mamba
lê almeida
the john candy

@ audio rebel
visconde silva 55
botafogo

evento no facebook

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

FRIQUINIQUE: última semana de pré-venda

Esta é a última semana de pré-venda do livro FRIQUINIQUE!
Até sábado ainda dá pra comprar com um descontão e surpresinhas aqui: http://belel.eu/friquipre
Depois disso, estaremos no FIQ e a loja entra em recesso até o fim de novembro.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento


Trecho da minha história para o zine Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento, título extra da serie FRIQUINIQUE, que sai em livro mês que vem. O zine traz quatro histórias inéditas, com tiragem limitada de 80 exemplares. Tudo isso está em pré-venda na loja da Beleléu.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

lançamento em brasília

Lanço meu livrinho A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É amanhã, em Brasília



sábado, 28 de setembro
das 15h às 20h
no SINDICATO
705 sul bloco A casa 35

entrada franca

evento no facebook

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

FRIQUINIQUE

Andei sumido, confesso, mas estive ocupado. Um dos motivos foi o livro do Friquinique, projeto antigo com Rafael Sica, Eduardo Medeiros e Elcerdo, que finalmente vai ver a luz do dia em um glorioso livro com capa dura. Sempre sonhei em fazer um livro com capa dura, mas é um luxo que costuma encarecer demais os projetos. Bem, esse merecia. Além disso, o livro virá com uma sobrecapa que se desdobra em um posterzão 80 x 60 cm, e 4 encartes com histórias inéditas, de 16 páginas cada. Não vai ficar barato, mas resolvemos bancar a empreitada com o suado caixa da Beleléu, resistência independente de subsistência editorial. Confesso, em um momento de deslumbramento cogitamos abrir um famigerado crowdfunding para conseguir levantar o montante necessário. Porém, após uma profunda pesquisa o mecanismo revelou-se insatisfatório para nossos ideais. Explico: além de o processo ser um projeto em si mesmo, de divulgação, administração de recompensas, produção de vídeo e assim por diante - com o agravante de os autores morarem em 3 estados diferentes -, além da suave taxa de intermediação da plataforma, teríamos que estabelecer como meta O DOBRO do que de fato precisamos para a impressão. Cientes disso, decidimos bancar a coisa toda, como temos feito desde o começo. Que fique claro então, caríssimos leitores, que os autores só levarão algum tostão após o retorno do investimento, do lucro líquido resultante da venda de pelo menos 300 exemplares. Ou seja, nos ajudem! Comprem o livro na pré-venda, com um lindo desconto, e o recebam no conforto de seus lares, investindo diretamente no suor dos autores e do editor - aqui sim, sem intermediários! Além do livro, faremos um zine inédito com edição limitada chamado "Rudolfo e a Maquininha de Encolher Pensamento", com 4 histórias sobre momentos diferentes da vida do mesmo personagem; e, para bolsos apertados, disponibilizamos os encartes em edições artesanais como teaser. Possivelmente teremos mais algumas surpresas pela frente, até o dia 2 de novembro, fim da pré-venda. E de 13 a 17 de novembro lançaremos o Friquinique oficialmente durante o FIQ, em Belo Horizonte, com a presença dos autores (junto com o novo livro de Bruno Azevêdo, em co-edição com a maranhense Pitomba, mas isso é outra história). Ufa.

          
[pré-venda] Friquinique



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

crítica imaginária

últimos exemplares do meu zine Caderno de Cinema à venda na loja da Beleléu.
quando esgotar, subo uma versão digital.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

claviculário



estou organizando uma coleção de chaves de desenhistas em claviculario.tumblr.com
novas postagens às segundas-feiras.

acho bem interessante esse lance, do que cada um leva no bolso - cada um, guardião de portais pessoais e coletivos: a organização e hierarquia nos chaveiros, as chaves sem propósito, os apetrechos e penduricalhos, os tipos de chaves e fabricantes, e a ilusão de que elas realmente protegem alguma coisa.

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lembrando que o meu novo livro A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É, está em pré-venda até este domingo (18).

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM AINDA É

pré-venda até o dia 18 de agosto!
clique aqui



lançamento nos dias 10 e 11 de agosto, durante a feira pão de forma (botafogo, rio de janeiro)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

feira tijuana (sp)


neste fim de semana acontece a 5ª feira de arte impressa tijuana, em são paulo, e estarei lá com um mesa da beleléu.



27 e 28 de julho (sábado e domingo)
das 12h às 20h
Casa do Povo
Rua Três Rios, 252 – Bom Retiro, São Paulo
Entrada Gratuita

mais informações: http://cargocollective.com/tijuana/5-FEIRA-DE-ARTE-IMPRESSA-TIJUANA

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fora o nosso catálogo, preparei 3 zines exclusivamente para o evento, com tiragem limitadíssima de vinte exemplares cada (além dos três últimos raríssimos exemplares de cabeça dinossauro, descobertos por exploradores búlgaros há algumas semanas).




vamos a eles:

CADERNO DE CINEMA | crítica imaginária
por Rubensvaldo Filho

16 páginas em jato de tinta preto sobre papel jornal, formato A5.




Para quem, como eu, tenha fetiche por papel jornal. Vocês não sabem o trabalho que deu para imprimir esse zine. Foi preciso fazer uma página por vez, torcendo para a impressora não mastigar completamente as folhas. Psicografado por Stêvz.

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ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DA BATATA
edição revista e ampliada vol. 39

16 páginas em PB laser, formato A6.




Um inventário de batatas imaginárias, publicado originalmente na revista peruana Carboncito #16. Acompanha relato da Embrapa sobre clones de batata geneticamente modificados.

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ENTRE SEM BATER
um poema vingativo

8 páginas em PB laser, formato A7.




Impresso para aproveitar a sobra de papel do zine anterior, este breve poema divaga sobre a sala de espera ideal (para torturar quem espera).

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 é isso, apareçam!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

o retorno do chapa mamba

domingo, dia 21, se não chover, tem show na rua, no centro do rio, com várias bandas da transfusão noise records - inclusive a minha, chapa mamba. pra completar, é de graça!


        cartaz por lê almeida

pra quem não sabe, vamos lançar um disco, em breve, pela transfusão.
essa gravadora, comandada pelo carioca lê almeida, na raça, tem mais de 50 discos no catálogo, a maioria gravado no quarto/estúdio do lê - o lendário interestellar lo-fi, uma porrada de bandas no cast, e movimenta a cena independente da baixada fluminense há exatamente dez anos.

evento no facebook

terça-feira, 16 de julho de 2013

mixtape


WEIRD MUSIC vol.3

Bradford Reed Analog Vs. Mothra
Pierre Henry Limonaire
Yellow Magic Orchestra Bridge Over Troubled Music
John Oswald Anton Webern - Ten4
The Residents Secrets
Thee Oh Sees Weird Bit
Frank Zappa Zanti Serenade
The Residents Perfect Love

total 12:44



aula de piano


     Quando menos se esperava, lá vinham madame Só-Só e a filha dobrando uma esquina: os passos muito cadenciados, os da filha sobretudo, davam-lhe a corda cada manhã até a noite – valendo um sorriso permanente. E às quartas-feiras havia a aula de música.
     Andréa sentada ao piano, eu ficava em frente àquela Coisa, nem era uma moça nem deixava de ser, sempre de branco, a combinação em branco, a calça de rendas brancas – madame Só-Só muito positiva repetindo o solfejo, a vareta na mão, si-lá-sol, também ela toda de branco, branca a sala, e as cortinas e até o piano: o gato sobre o tapete – tinha-se a idéia de um pesadelo, era o que era. A filha não tinha um nome, era como uma boneca com a sua corda, agora imóvel no sofá, as coxas belíssimas: a clave de fá e a clave de sol: eu em frente mudo e fazendo de conta, durava uma hora a lição e eu era quem aprendia maravilhas, pouco me importava que fosse imbecil e que sorrisse o sorriso de sempre. Às vezes levava um caderno para disfarçar, mas nem era preciso – as mínimas e as semínimas, colcheias e semicolcheias, Für Elise –: a um menino é permitido ver coisas que não se permitem a um adulto, eu ou o gato era a mesma coisa, o relógio branco na parede pulsando os segundos, os minutos, coxas como aquelas eu nunca tinha visto, jamais veria, o começo do sexo dando-me um comichão entre as pernas, as minhas, subitamente minhas. Quando caía a chuva os acordes se prolongavam, de novo vinha a Für Elise, a vareta branca batendo o compasso, o gato espiando-me cúmplice, as pernas no sofá cruzando-se e descruzando-se, e o sorriso de sempre, eu rilhando os dentes para que a chuva não passassse, sorria também o meu sorriso para a idiota e para o gato: uma cumplicidade completa. Às vezes, com tanta chuva, vinha um cafezinho, não sei se branco, com biscoitos ou sem biscoitos, Andréa se aproveitava para voltar à infância, UFF!, madame Só-Só indo e vindo, a filha acompanhando-a com os olhos, o gato à espreita: Andréa chegava-se a mim e apontava com os olhos o mistério daquelas coxas: eu me mostrava surpreso, ensaiava um assobio para dentro.
     Assim descobri o sexo ao som de escalas e mais escalas, Beethoven e suas jubas protegendo-me de olhares indiscretos, também ele cúmplice como a chuva e o resto, sou-lhe eternamente grato por isso, a ponto de Für Elise despertar-me, esteja onde esteja, uma ereção repentina como dizem ocorrer à rã decapitada quando lhe tocam com um fio elétrico, ou se não é bem isso fica sendo isso. 


CAMPOS DE CARVALHO, A Chuva Imóvel (1963)

sábado, 13 de julho de 2013

mixtape




WEIRD MUSIC vol.2

John Oswald  Untitled #1
John Zorn  Washing Machine A
John Oswald  Franz Liszt - Prelude
Pierre Henry  Sauts
dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS  Pajaro Loco
R. Stevie Moore  Cease All Relationships
Captain Beefheart & The Magic Band  Petrified Forest
John Zorn  France

total 10:45


segunda-feira, 1 de julho de 2013

mixtape


WEIRD MUSIC vol.1

The Mothers of Invention  Hot Poop
Lightning Bolt  Hello Morning
R. Stevie Moore  Okay?
Thee Oh Sees  Noise :30
Brian Eno & David Byrne  Vocal Outtakes
Thee Oh Sees  Holiday
Bradford Reed  American New Music
The Mothers of Invention  Nasal Retentive Calliope Music

total 10:23


segunda-feira, 10 de junho de 2013

beleléu em brasília

.................................................................................  evento no facebook

terça-feira, 4 de junho de 2013

uma teoria do riso

Arthur Koestler
O Fantasma da Máquina (1967)
Cap. XIII - A Glória do Homem


A Reação AHA

Desde Pitágoras, que reuniu a Aritmética e a Geometria, até Newton, que combinou os estudos do movimento dos projéteis de Galileu com as equações keplerianas das órbitas planetárias, e Einstein, que unificou a energia e a matéria em uma única e sinistra equação, o padrão é sempre o mesmo. O ato criador não cria algo a partir do nada, como o Deus do Antigo Testamento; ele combina, reembaralha e relaciona idéias, fatos, estruturas de percepção e contextos associativos já existentes, mas até então separados. Esse ato de fertilização cruzada — ou de autofertilização dentro de um único cérebro — parece ser a essência da criatividade e justificar o termo “bissociação”. 1
Tome-se o exemplo de Gutenberg, que inventou a prensa tipográfica (ou, pelo menos, inventou-a separadamente de outros). Sua primeira idéia foi fundir tipos de letras semelhantes a anéis de sinête ou selos. Mas como reunir milhares de pequenos selos de maneira que eles causassem uma impressão parelha sobre o papel? Ele lutou com o problema durante anos, até que um dia foi a uma festa de vinho em sua Renânia natal e presumivelmente embriagou-se. Escreveu numa carta: “Olhei o vinho a fluir e a voltar do efeito, para a causa; estudei o poder da prensa de vinho, a que nada pode resistir (...)” Naquele momento, a luz se fêz: selos e a prensa de vinho combinados resultaram na impressão de letras.
Os psicólogos gestaltistas cunharam uma palavra para esse momento da verdade, o relâmpago, da iluminação, quando os fragmentos do quebra-cabeça repentinamente entram no lugar; eles o chamam de experiência AHA. Mas esse não é o único tipo de reação que o estalo bissociativo pode produzir. Uma espécie inteiramente diferente de reação é despertada pelo relato de uma estória como a seguinte:

terça-feira, 28 de maio de 2013

assalto ornamental

Participantes: O juiz, o ladrão e o cidadão.

Acessórios: Gongo, luvas de boxe.

Execução: O ladrão aborda o cidadão em uma esquina deserta e mal-iluminada. Anuncia “Isto é um assalto!”, seguido de “Passa a carteira”. Os participantes vestem as luvas e colocam-se em posição de combate. Soa o gongo. Devem, então, dançar uma valsa ou o tango, sem pisar no pé um do outro. O juiz confere se o jogo está limpo, ao mesmo tempo em que dita o ritmo e bate a carteira dos dois.

Duração: 10 assaltos, ou até o nocaute técnico.

domingo, 12 de maio de 2013

composição x execução

"(...) A atividade de aprender a cantar e tocar piano foi suplantada hoje pela de colecionar discos, um desenvolvimento inquietante que já começou a afetar o futuro. O público da música séria ficou cada vez mais passivo, e já não há um corpo importante de ouvintes com educação apropriada e experiência musical capaz de servir como uma ponte entre o público geral e o profissional.
A música popular tem hoje um grupo assombrosamente grande de jovens empenhados em apresentá-la de maneira particular, para o próprio lazer e o de alguns poucos amigos. É um fato que se confirma ao longo da história. Mas, em nossa época, a música popular inverte a relação clássica entre composição e execução: a execução se tornou tudo. (...) Nos grandes exemplos de música popular de nosso século - aqueles que já chegaram a um status de clássicos, como as grandes improvisações de jazz de músicos como Art Tatum ou Miles Davis -, a composição original passa a ser identificada à performance. (...) Tatum não realiza a composição de Porter, ele compõe uma obra inteiramente nova na qual a composição de base serve como um componente estrutural. No começo do século 20, as formas mais avançadas de música popular eram eventos essencialmente improvisados, sendo cada um único e efêmero: eram preservados não por uma partitura, mas ocasionalmente por uma gravação, e eram basicamente irrepetíveis.
(...) O papel da improvisação, no entanto, foi reduzido no rock: nele, a gravação tomou conta. Uma apresentação pública de rock raramente é uma obra improvisada ou uma nova execução de uma partitura, mas simplesmente a reprodução de uma gravação. A maioria do público já conhece a música a partir de um disco e vai assistir para ter uma experiência comunal, em massa (no rock, o papel criativo do processo de gravação também deve ser levado em conta)."

Charles Rosen, "The Future of Music", 2001.
em Serrote #13 (Instituto Moreira Salles, março de 2013) Tradução de Adriano Scandolara.
 




Estava lendo o artigo acima e me lembrei desse texto besta e sub-nutrido que cometi em 2008, louvando as tecnologias de gravação e reprodução sonora.

O caso é que há um bom tempo a efemeridade da performance tornou-se passível de conservação, sem prazo de validade. Não deixa de haver uma certa magia nisso. Mas concordo com o Rosen em relação à "reprodução da gravação" que parece ser a regra nos concertos de música rock e pop hoje em dia, notadamente. Ele chega a citar, também, a música eletrônica, e define uma das vantagens da performance ao vivo em detrimento de gravações (mas parece esquecer do vídeo como uma alternativa): "Ao ouvir um disco, não se sente a dificuldade física da execução do texto musical, nem se testemunha, como num concerto, o espetáculo emocionante dos tormentos do intérprete". De qualquer forma, as percepções musicais do autor e do público serão sempre distintas, não importa o quão escolado ou descolado seja esse último. Mais ainda, a percepção de cada indivíduo será sempre distinta dos demais, e dele mesmo, em cada situação.

Cortázar já havia cantado a pedra:

"Agora uns amigos me deixaram uma vitrola e uns discos de Gardel. Entenda-se logo que Gardel deve ser ouvido na vitrola, com toda a distorção e a perda imagináveis; sua voz sai dali como foi ouvida pelo povo que não podia ouvi-lo em pessoa, como saía de vestíbulos e de salas em mil novecentos e vinte e quatro ou vinte e cinco. (...) Não são apenas as artes maiores que refletem o processo de uma sociedade."

Julio Cortázar, "Gardel", 1953.
em A Volta ao Dia em 80 Mundos - Tomo I (Civilização Brasileira, 2008) Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht.





Segundo um dos comentários nesse vídeo, Gardel canta melhor a cada dia. Acho que isso resume o poder da execução/gravação. Mas é claro que se a composição fosse ruim, isso não faria diferença alguma.


sábado, 11 de maio de 2013

lançamentos + exposição

Lançaremos o gibi Tension de la Passion vol. 1 e o livro A Intrusa essa semana, no Rio e em São Paulo. Além disso, fomos convidados para uma exposição no Sesc Belenzinho (SP). A abertura é dia 15, quarta-feira. Participaremos com a revista Beleléu e o livro Aparecida Blues.





LANÇAMENTOS TENSION DE LA PASSION + A INTRUSA

Segunda, 13 de maio / 19h
Boteco Salvação
Rua Henrique de Novaes, 55 - Botafogo / Rio de Janeiro

Quinta, 16 de maio / 19h
Gibiteria
Praça Benedito Calixto, 158 - 1º andar / São Paulo


ABERTURA HQBR21 - O QUADRINHO BRASILEIRO DO NOVO SÉCULO

Quarta, 15 de maio / 20h
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Zona Leste / São Paulo

sexta-feira, 12 de abril de 2013

G A S T U R A

comecei uma nova série semanal com o chapa André Valente:
se chama GASTURA, e é uma história em quadrinhos animada,
de trás pra frente, toda sexta, em gastura.tumblr.com



quarta-feira, 10 de abril de 2013

nova loja beleléu

a beleléu está de loja nova!
e pra começar com o pé direito, todo o catálogo do selo está com 20% desconto,
até o dia 24 de abril.

check it out: revistabeleleu.com.br/loja



sexta-feira, 8 de março de 2013

it's all in the game

O leitor pode perguntar-se por que estamos interessados, afinal, em máquinas de jogar xadrez. Pois não constituem elas apenas uma inofensiva vaidadezinha mercê das quais os especialistas em planificação buscam demonstrar sua proficiência a um mundo que esperam irá ficar boquiaberto e maravilhado diante de suas realizações? Homem honesto que sou, não posso negar que certa dose de narcisismo ostentoso esteja presente em mim, pelo menos. Contudo, como se verá em breve, não é o único elemento ativo no caso, nem o que tem maior importância para o leitor não-profissional.

(...) No conhecido jornal de Paris, Le Monde, edição de 28 de dezembro de 1948, um frade dominicado, Père Dubarle, escreveu uma resenha (...) que confirma algumas das terríveis implicações da máquina de jogar xadrez crescida e enfiada dentro de uma armadura.

(...) Não será possível conceber um aparelho estatal que abranja todos os sistemas de decisão política, quer sob um regime de muitos Estados distribuídos pela face da Terra, quer sobre o regime aparentemente muito mais simples de um governo humano deste planeta? Atualmente, nada nos impede de pensar nisso. Podemos sonhar com a época em que a machine à gouverner venha suprir - para o bem ou para o mal - a atual e óbvia insuficiência do cérebro, quando este se ocupa com a costumeira maquinaria política.
(...) Tanto quanto se possa avaliar, apenas duas condições podem garantir estabilização no sentido matemático do termo. São elas, de um lado, uma ignorância suficiente por parte do grande número de jogadores explorados por um jogador hábil, que pode, ademais, idear um método de paralisar a consciência das massas; ou, de outro lado, boa vontade bastante para permitir que cada qual, por amor à estabilidade do jogo, submeta suas decisões a um ou a alguns jogadores que tenham privilégios arbitrários. (...)

A machine à gouverner (...) é por demais grosseira e imperfeita para exibir um milésimo do comportamento intencional e independente do ser humano. Seu verdadeiro perigo, contudo, é muito diverso - é o de tais máquinas, embora inermes por si mesmas, poderem ser usadas por um ser humano ou por um grupo de seres humanos para aumentar seu domínio sobre o restante da raça humana; ou o de líderes políticos poderem tentar dominar suas populações por meio não das próprias máquinas, mas através de técnicas políticas tão exíguas e indiferentes à possibilidade humana quanto se tivessem sido, de fato, concebidas mecanicamente. A grande fraqueza da máquina - fraqueza que nos salvou até aqui de sermos dominados por ela - é a de que ela não pode ainda levar em consideração a vasta faixa de probabilidades que caracteriza a situação humana. A dominação da máquina pressupõe uma sociedade nos últimos estágios de entropia crescente, em que a probabilidade é insignificante e as diferenças estatísticas entre os indivíduos nulas. Felizmente, ainda não alcançamos esse estado. (...)

Eu disse que o homem moderno, e especialmente o norte-americano moderno, por mais know-how que possa ter, tem muito pouco know-what. Aceitará a superior perícia das decisões feitas pela máquina sem indagar muito dos motivos e princípios que as fundamentam. (...) O que seja usado como peça de uma máquina, é, de fato, uma peça dessa máquina. Quer confiemos nossas decisões a máquinas de metal ou a essas máquinas de sangue e carne, que são as repartições oficiais, os vastos laboratórios, os exércitos e as companhias comerciais e industriais, jamais receberemos respostas certas às nossas perguntas se não fizermos perguntas certas.



Norbert Wiener, CIBERNÉTICA E SOCIEDADE: O Uso Humano de Seres Humanos (1954)
Capítulo X: Algumas Máquinas de Comunicação e Seu Futuro / Tradução: José Paulo Paes

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APÊNDICE I



Louis Armstrong - It's All In The Game (1951)


Nat King Cole - It's All In The Game (1956)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

cabeça dinossauro vol.1

ESGOTADO / leia aqui
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Cabeça Dinossauro Vol.1 / Tiras 2012
A5 | 28 pags. | fotocópia
capa em carimbos de borracha
acompanha gravura de borracha em papel adesivo neon
tiragem limitada e numerada de 50 exemplares













"Começou uma discussão geral. Era estranho que jamais se considerasse a possibilidade de eu ser um dinossauro; a culpa que me era imputada permanecia a de ser um Estranho, um Estrangeiro, logo um Infiel; e o ponto controverso era o quanto a minha presença poderia aumentar o perigo de um eventual retorno dos dinossauros."
Italo Calvino, As Cosmicômicas (1965)