segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

iceberg

fiz esse mural (aqui, ainda inacabado)
com os colegas elcerdo e victor marcello
na garagem gamboa, semana passada.
não costumamos trabalhar em grandes formatos,
foi uma boa experiência para os três.

e adivinha só, em breve tem mais!







até aqui tudo bem

fiz essa música logo que me mudei para o rio, em pleno carnaval de 2009.
o registro original dela é a última faixa do zine sonoro "solidão & cia. vol 3", gravado num quarto de pensão em santa teresa, onde fiquei por duas semanas.



cheguei quando chovia pela última vez
no verão, no carnaval, na final do campeonato estadual
eu era mais um
vestindo as cores erradas
fantasiado de vocês

conheci a argentina
que achou hermoso mi trabajo de paranormal
mas ao cruzar com ela na segunda esquina
não a vi, pois conferia a loteria
a hora era aquela
mas aquela hora
eu não era quem eu sou agora

ninguém comemora o aniversário do coroa na pensão
enquanto isso as minhas malas
estão mofando no porão

pedi para ficar com a cozinha
me ofereceram a escadaria sem fogão
assim não vai dar não
já conheço a vizinhança 

como a palma da minha talentosa mão direita

acenando para o bonde que passa do ponto
arriscado de pegar andando

trilho a linha do trem
até o outro lado
pra dormir no sofá de alguém
da terceira vez a gente acerta
e então fica tudo bem
mas vai saber

a bola é redonda e o xadrez é uma caixinha de surpresa
mesmo sempre com a mesma escalação




sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

peixe morto, fresco e torto



NOTÍCIA RUIM


eu não quero sair no jornal
tal qual mais um
imóvel

classificado
e rotulado
desesperado
no meu quadrado

eu quero servir de embrulho
pros peixes dessa feira

bem enrolado
e apertado
refrigerado
e besuntado

quando você for na xepa
me leve embora
me jogue fora
mal vejo a hora
de virar notícia velha, meu irmão


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

um desenho, para aliviar a tensão


torre come peão

O texto a seguir foi escrito há alguns meses. Achei melhor ficar de bico fechado enquanto a coisa se desenrolava na justiça. Mas, como justiça não houve, precisava tirar isso do peito. Cuidado com "editoras" que faturam publicando autores desconhecidos, meus caros. Eles só querem vender cerveja. Gostaria de compartilhar com vocês, também, algumas considerações edificantes do Sr. Renato Amado Barreto, apresentadas em sua contestação à minha ação:


"O projeto gráfico é de autoria do autor porque assim ele quis; assim ele apresentou o livro à editora. E ele próprio reclama das impressões feitas em 14 x 21 cm. O autor deve decidir-se: ou fazia questão do projeto gráfico por ele apresentado ou queria que editora fizesse o livro pelo projeto gráfico que bem entendesse."

"Donde se conclui que, em tendo havido os fatos não provados alegados pelo réu, foram fatos isolados, cometidos pela outra ré, uma pequena empresa que luta heroicamente para manter-se no exíguo mercado literário-cultural carioca. Punir-se, portanto, o quê? A disposição de se fazer cultura num país desfavorável para tal? Supondo-se que tenham ocorrido os fatos alegados pelo autor - o que, registre-se, não foi provado nos autos -, não seria algo pequeno demais e dentro da margem tolerável de erro?"

"Centenas de livros de poesia são publicados todo mês no país, sendo que a maioria não vende sequer cem exemplares. Apenas grandes nomes conseguem vendas significativas. Não sendo este o caso do autor, seu potencial de vendas é limitado, o que acabou sendo provado pelas poucas vendas ocorridas. Nem se diga que tal se deu em função de pouca divulgação do livro, uma vez que não há espaço na mídia nacional para divulgação de livro de estreia de poetas desconhecidos, a menos que se trate de um nome de grande inserção, o que não é o caso do autor, até porque, se fosse, teria publicado sua obra por uma grande editora."


Realmente heróico. Pelo jeito só o Paulo Coelho merece respeito por parte de editoras. É uma pena que eu queira fornecer um produto de qualidade para os leitores, onde todo o conteúdo e a forma, projeto gráfico, acabamento, capa e FORMATO, sejam pensados especificamente para cada título, de modo a proporcionar a experiência de leitura ideal em cada caso. O prezado senhor parece se esquecer do que havia escrito antes, em negrito, no mesmo documento: "... o autor do livro é o mais importante partícipe na produção do produto livro."





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Queridos e queridas leitores(as), quem avisa amigo é:
NÃO COMPREM MAIS "A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É".





Acontece que a tal editora meteu os pés pelas mãos desde o começo. E além da falta de noção, o descaso comigo, convosco e com o pobre livro é total. Vejam bem, um caro amigo encomendou três livrinhos na lojinha virtual, para receber apenas um, grotescamente esticado e anormal. Praticamente uma falsificação oficial, e não obteve qualquer resposta ou reembolso. Quem comprou na minha mão, conhece o singelo tamanho original: 10 x 7,5 cm, para caber perfeitamente no bolso da calça, da camisa ou do casaco, ou ainda dentro da bolsa das senhoritas que por acaso possam querer consultar alguma das espirituosas sentenças para cíta-las à mesa do bar. Quantos outros clientes terão recebido o livro com o projeto gráfico deformado na marra?
Mas antes fosse apenas isso, caríssimos leitores.




Do livro não vi um tostão, além do que eu mesmo revendi, tendo pessoalmente comprado de antemão. Qualquer resposta da parte deles? Tive não. O que me leva a indagar se os referidos senhores não se encontram no ramo errado de negócios, ou mesmo no galho, árvore ou floresta erradas, incapazes que foram de cumprir as tarefas básicas para a vida da publicação. Ficha catalográfica? Não há. Foram capazes de publicar o pobre livro ainda com a frase de marcação no espaço reservado: "dados para catalogação". ISBN? Inexistente, ou pior: fictício. O código de barras é um blefe. Revisão, diagramação? Tudo feito por mim mesmo. Conclusão: pra que diabos serve uma editora assim?





Procurei advogados. Entrei na justiça, que ironicamente tardou e falhou. Ficamos por isso mesmo, como geralmente ocorre no nosso querido país, mas aproveito para deixar aqui uma versão digital completa do livro (considerando que a obra está licenciada nesse sentido). Fiquem à vontade.

A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É

Tão logo tenha passado a data de validade do contrato (já apodrecido e mofado), lanço de novo. Dessa vez, por conta própria e como se deve. Deve ser mesmo tempestade em copo d'água, querer que cumpram o contrato. Ou o rasguem, pelo menos, já que não vale nada. Não pedi milhões de dólares ou enforcamentos em praça pública, apenas a rescisão do dito cujo, a retirada do livro da loja virtual da editora e os honorários dos advogados que precisei contratar para que me respondessem. Well, a melhor vingança é viver bem e comer pratos frios, que o verão está de lascar. Engulam meus livros que ainda virão, é o que posso oferecer.

Atualização: a simpática editora foi comprada por outra mais simpática ainda. Eles que descasquem o abacaxi. Com o ânus.