quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

torre come peão

O texto a seguir foi escrito há alguns meses. Achei melhor ficar de bico fechado enquanto a coisa se desenrolava na justiça. Mas, como justiça não houve, precisava tirar isso do peito. Cuidado com "editoras" que faturam publicando autores desconhecidos, meus caros. Eles só querem vender cerveja. Gostaria de compartilhar com vocês, também, algumas considerações edificantes do Sr. Renato Amado Barreto, apresentadas em sua contestação à minha ação:





"O projeto gráfico é de autoria do autor porque assim ele quis; assim ele apresentou o livro à editora. E ele próprio reclama das impressões feitas em 14 x 21 cm. O autor deve decidir-se: ou fazia questão do projeto gráfico por ele apresentado ou queria que editora fizesse o livro pelo projeto gráfico que bem entendesse."

"Donde se conclui que, em tendo havido os fatos não provados alegados pelo réu, foram fatos isolados, cometidos pela outra ré, uma pequena empresa que luta heroicamente para manter-se no exíguo mercado literário-cultural carioca. Punir-se, portanto, o quê? A disposição de se fazer cultura num país desfavorável para tal? Supondo-se que tenham ocorrido os fatos alegados pelo autor - o que, registre-se, não foi provado nos autos -, não seria algo pequeno demais e dentro da margem tolerável de erro?"

"Centenas de livros de poesia são publicados todo mês no país, sendo que a maioria não vende sequer cem exemplares. Apenas grandes nomes conseguem vendas significativas. Não sendo este o caso do autor, seu potencial de vendas é limitado, o que acabou sendo provado pelas poucas vendas ocorridas. Nem se diga que tal se deu em função de pouca divulgação do livro, uma vez que não há espaço na mídia nacional para divulgação de livro de estreia de poetas desconhecidos, a menos que se trate de um nome de grande inserção, o que não é o caso do autor, até porque, se fosse, teria publicado sua obra por uma grande editora."


Realmente heróico. Pelo jeito só o Paulo Coelho merece respeito por parte de editoras. É uma pena que eu queira fornecer um produto de qualidade para os leitores, onde todo o conteúdo e a forma, projeto gráfico, acabamento, capa e FORMATO, sejam pensados especificamente para cada título, de modo a proporcionar a experiência de leitura ideal em cada caso. O prezado senhor parece se esquecer do que havia escrito antes, em negrito, no mesmo documento: "... o autor do livro é o mais importante partícipe na produção do produto livro."





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Queridos e queridas leitores(as), quem avisa amigo é:
NÃO COMPREM MAIS "A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É".





Acontece que a tal editora meteu os pés pelas mãos desde o começo. E além da falta de noção, o descaso comigo, convosco e com o pobre livro é total. Vejam bem, um caro amigo encomendou três livrinhos na lojinha virtual, para receber apenas um, grotescamente esticado e anormal. Praticamente uma falsificação oficial, e não obteve qualquer resposta ou reembolso. Quem comprou na minha mão, conhece o singelo tamanho original: 10 x 7,5 cm, para caber perfeitamente no bolso da calça, da camisa ou do casaco, ou ainda dentro da bolsa das senhoritas que por acaso possam querer consultar alguma das espirituosas sentenças para cíta-las à mesa do bar. Quantos outros clientes terão recebido o livro com o projeto gráfico deformado na marra?
Mas antes fosse apenas isso, caríssimos leitores.




Do livro não vi um tostão, além do que eu mesmo revendi, tendo pessoalmente comprado de antemão. Qualquer resposta da parte deles? Tive não. O que me leva a indagar se os referidos senhores não se encontram no ramo errado de negócios, ou mesmo no galho, árvore ou floresta erradas, incapazes que foram de cumprir as tarefas básicas para a vida da publicação. Ficha catalográfica? Não há. Foram capazes de publicar o pobre livro ainda com a frase de marcação no espaço reservado: "dados para catalogação". ISBN? Inexistente, ou pior: fictício. O código de barras é um blefe. Revisão, diagramação? Tudo feito por mim mesmo. Conclusão: pra que diabos serve uma editora assim?





Procurei advogados. Entrei na justiça, que ironicamente tardou e falhou. Ficamos por isso mesmo, como geralmente ocorre no nosso querido país, mas aproveito para deixar aqui uma versão digital completa do livro (considerando que a obra está licenciada nesse sentido). Fiquem à vontade.

A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É

Tão logo tenha passado a data de validade do contrato (já apodrecido e mofado), lanço de novo. Dessa vez, por conta própria e como se deve. Deve ser mesmo tempestade em copo d'água, querer que cumpram o contrato. Ou o rasguem, pelo menos, já que não vale nada. Não pedi milhões de dólares ou enforcamentos em praça pública, apenas a rescisão do dito cujo, a retirada do livro da loja virtual da editora e os honorários dos advogados que precisei contratar para que me respondessem. Well, a melhor vingança é viver bem e comer pratos frios, que o verão está de lascar. Engulam meus livros que ainda virão, é o que posso oferecer.

Atualização: a simpática editora foi comprada por outra mais simpática ainda. Eles que descasquem o abacaxi. Com o ânus.

5 comentários:

carol stary disse...

rapaz, doeu em mim ler isso - tão bacana o projeto gráfico do livrinho! como diabos uma editora, que não deixa de ser uma comunicadora, não saca que o meio também é a mensagem?

ê. disse...

né?

Edu Mendes disse...

Stêvz, isso é muito foda. Impressionante as coisas que se lê em decisões judiciais. Como disseram acima, doeu ler. Até porque já passei por tudo isso e imagino todo o nervoso que te assolou e que nem está no teu texto. Justiça? Que justiça?
Pra mim, o mais foda de tudo foi perceber que se juntar todo o nervoso que passei pra lançar mais de 10 edições independentes com o Quarto Mundo não dá nem metade do nervoso que passei nas únicas três publicações não independentes que lancei. Duas saíram por editoras mequetrefes (pelo menos no profissionalismo) e uma com custeio público. Foi tanta irritação que desisti. Hoje em dia só lanço independente ou prefiro deixar na gaveta. Em tempo, seu trabalho é du caralho. Esquece esses merdas e segue em frente, não vão te fazer falta.

Mariana Dias disse...

oi autor!

obrigada pela disponibilização.
adorei o livro, principalmente a parte dois
quanto à editora... já dizia o mestre: "eles passarão, eu passarinho"

Anônimo disse...

o Renato só pensa em dinheiro, vendeu a Flaneur para a Multifoco porque não está nem aí para o mercado editorial. Mas, porque você perdeu, o que a justiça alegou? O certo seria você rever pelo menos os exemplares que te foram tomados... Porque você não procura um defensor público?