terça-feira, 28 de maio de 2013

assalto ornamental

Participantes: O juiz, o ladrão e o cidadão.

Acessórios: Gongo, luvas de boxe.

Execução: O ladrão aborda o cidadão em uma esquina deserta e mal-iluminada. Anuncia “Isto é um assalto!”, seguido de “Passa a carteira”. Os participantes vestem as luvas e colocam-se em posição de combate. Soa o gongo. Devem, então, dançar uma valsa ou o tango, sem pisar no pé um do outro. O juiz confere se o jogo está limpo, ao mesmo tempo em que dita o ritmo e bate a carteira dos dois.

Duração: 10 assaltos, ou até o nocaute técnico.

domingo, 12 de maio de 2013

composição x execução

"(...) A atividade de aprender a cantar e tocar piano foi suplantada hoje pela de colecionar discos, um desenvolvimento inquietante que já começou a afetar o futuro. O público da música séria ficou cada vez mais passivo, e já não há um corpo importante de ouvintes com educação apropriada e experiência musical capaz de servir como uma ponte entre o público geral e o profissional.
A música popular tem hoje um grupo assombrosamente grande de jovens empenhados em apresentá-la de maneira particular, para o próprio lazer e o de alguns poucos amigos. É um fato que se confirma ao longo da história. Mas, em nossa época, a música popular inverte a relação clássica entre composição e execução: a execução se tornou tudo. (...) Nos grandes exemplos de música popular de nosso século - aqueles que já chegaram a um status de clássicos, como as grandes improvisações de jazz de músicos como Art Tatum ou Miles Davis -, a composição original passa a ser identificada à performance. (...) Tatum não realiza a composição de Porter, ele compõe uma obra inteiramente nova na qual a composição de base serve como um componente estrutural. No começo do século 20, as formas mais avançadas de música popular eram eventos essencialmente improvisados, sendo cada um único e efêmero: eram preservados não por uma partitura, mas ocasionalmente por uma gravação, e eram basicamente irrepetíveis.
(...) O papel da improvisação, no entanto, foi reduzido no rock: nele, a gravação tomou conta. Uma apresentação pública de rock raramente é uma obra improvisada ou uma nova execução de uma partitura, mas simplesmente a reprodução de uma gravação. A maioria do público já conhece a música a partir de um disco e vai assistir para ter uma experiência comunal, em massa (no rock, o papel criativo do processo de gravação também deve ser levado em conta)."

Charles Rosen, "The Future of Music", 2001.
em Serrote #13 (Instituto Moreira Salles, março de 2013) Tradução de Adriano Scandolara.
 




Estava lendo o artigo acima e me lembrei desse texto besta e sub-nutrido que cometi em 2008, louvando as tecnologias de gravação e reprodução sonora.

O caso é que há um bom tempo a efemeridade da performance tornou-se passível de conservação, sem prazo de validade. Não deixa de haver uma certa magia nisso. Mas concordo com o Rosen em relação à "reprodução da gravação" que parece ser a regra nos concertos de música rock e pop hoje em dia, notadamente. Ele chega a citar, também, a música eletrônica, e define uma das vantagens da performance ao vivo em detrimento de gravações (mas parece esquecer do vídeo como uma alternativa): "Ao ouvir um disco, não se sente a dificuldade física da execução do texto musical, nem se testemunha, como num concerto, o espetáculo emocionante dos tormentos do intérprete". De qualquer forma, as percepções musicais do autor e do público serão sempre distintas, não importa o quão escolado ou descolado seja esse último. Mais ainda, a percepção de cada indivíduo será sempre distinta dos demais, e dele mesmo, em cada situação.

Cortázar já havia cantado a pedra:

"Agora uns amigos me deixaram uma vitrola e uns discos de Gardel. Entenda-se logo que Gardel deve ser ouvido na vitrola, com toda a distorção e a perda imagináveis; sua voz sai dali como foi ouvida pelo povo que não podia ouvi-lo em pessoa, como saía de vestíbulos e de salas em mil novecentos e vinte e quatro ou vinte e cinco. (...) Não são apenas as artes maiores que refletem o processo de uma sociedade."

Julio Cortázar, "Gardel", 1953.
em A Volta ao Dia em 80 Mundos - Tomo I (Civilização Brasileira, 2008) Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht.





Segundo um dos comentários nesse vídeo, Gardel canta melhor a cada dia. Acho que isso resume o poder da execução/gravação. Mas é claro que se a composição fosse ruim, isso não faria diferença alguma.


sábado, 11 de maio de 2013

lançamentos + exposição

Lançaremos o gibi Tension de la Passion vol. 1 e o livro A Intrusa essa semana, no Rio e em São Paulo. Além disso, fomos convidados para uma exposição no Sesc Belenzinho (SP). A abertura é dia 15, quarta-feira. Participaremos com a revista Beleléu e o livro Aparecida Blues.





LANÇAMENTOS TENSION DE LA PASSION + A INTRUSA

Segunda, 13 de maio / 19h
Boteco Salvação
Rua Henrique de Novaes, 55 - Botafogo / Rio de Janeiro

Quinta, 16 de maio / 19h
Gibiteria
Praça Benedito Calixto, 158 - 1º andar / São Paulo


ABERTURA HQBR21 - O QUADRINHO BRASILEIRO DO NOVO SÉCULO

Quarta, 15 de maio / 20h
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Zona Leste / São Paulo