quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MMXIV

BREVE RETROSPECTIVA DE 2014

Apesar de cansativo, 2014 foi um ano produtivo. Pude me dedicar um pouco mais à música (cumprindo a resolução do ano anterior), e lancei três discos do Chapa Mamba: o primeiro, auto-intitulado; Le Lab de Lux Sessions, um single gravado em Brasília; e Ipsilone, um split em vinil com a Treli Feli Repi; além de gravar o próximo disco cheio, Banda Forra, que sai em Janeiro. Criei o meu próprio selo, Chupa Manga Recs.; terminei a estréia do projeto Quadrúpede Orquestra, Esculpindo Vento, com meu amigo Mallogro; e lancei alguns trabalhos experimentais: One Band Man e Música de Computador vol.5.

Editei o livro Erre Balada do meu chapa Biu; o FIM de Rafael Sica; dois volumes do Claviculário; ganhamos um HQ Mix pelo Friquinique, do ano anterior; inauguramos a nova sede da Beleléu; publiquei as tiras do Recruta Zero para o Capitão América e seus Amigos; a série Cabeceira, para a Rocco; algumas tiras para a Revista da Cultura; terminei o único exemplar do livro A Humanidade É Um Bêbado Chato Que Não Vai Embora, em carimbo de tipos móveis; e voltei a escrever algumas coisas que se encaminham para um novo projeto.

Muita coisa por vir ainda, mas estamos aí.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

banda forra // teaser

Em janeiro tem disco novo do Chapa Mamba, assista o teaser!




Lançamento em Janeiro / 2015

Chupa Manga Records
chupamanga.bandcamp.com

Desenho | Fabio Zimbres
Animação | Stêvz


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

até o ano que vem

Plantado na fila do supermercado, meus pés começam a doer após algumas horas. A lista é curta, mas feriado de páscoa é assim mesmo, todo mundo comemorando, bacalhau em alta, chocolate por todos os lados. No segundo dia, já desidratado e com câimbras pelo corpo, me vejo forçado a consumir os iogurtes de banana do refrigerador ao lado. Envio uma carta para a patroa, avisando que irei chegar atrasado para a ceia de natal, e que cuide bem dos nossos filhos. Ela promete me visitar diariamente, mas isso não dura mais de algumas semanas. Já com meu endereço atualizado para "fila do caixa vinte e seis", seus cartões-postais começam a rarear e, por fim, cessam após três longos meses. Fico sabendo, depois, que se casou novamente e mudou para o interior. Ao completar o primeiro ano, tive de me ausentar, temporariamente, para trocar alguns itens que já estavam vencidos. Cinco anos depois, chega, afinal, a minha vez. A moça do caixa começa a empacotar as coisas, com muita eficiência, quando me dou conta de que esqueci as batatas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ipsilone

IPSILONE é o nome do split Treli Feli Repi / Chapa Mamba que vamos lançar agora em dezembro. São 3 músicas inéditas de cada banda, em um vinil 7 polegadas lindão, prensado na Polysom.
Esse é o primeiro lançamento em vinil do meu selo Chupa Manga Recs., criado esse ano.

Não é por nada não, mas dá um belo presente de natal. E já está a venda aqui!

O lançamento no Rio é dia 19/12, às 19h, no Escritório (Rua da Constituição, 64 - Centro)





Aproveitando, nosso primeiro disco foi citado nessas listas de melhores do ano:

As melhores músicas de 2014 - Amplificador / O Globo
Melhores álbuns de estréia - Amplificador / O Globo
14 Melhores discos nacionais do ano - O Inimigo / MTV


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sendo Humano - Um Guia Para Visitantes

Cap.2 - Sobrevivência

O DINHEIRO

O dinheiro movimenta o mundo, disso não há dúvida. Sua força, aparentemente, suplanta a dos movimentos de rotação e translação da Terra combinados, colocando-o, virtualmente, no centro do nosso sistema planetário, quiçá universal. Comparado, no axioma popular, como equivalente ao próprio tempo, poderia mesmo tratar-se da quarta ou quinta dimensão, o que o posiciona mais no campo da física quântica do que da própria economia ou da fabricação de relógios.

Pode ser medido através de diversos e distintos mecanismos como a bolsa de valores, os índices de inflação e o preço do barril de petróleo, embora na prática seja de fácil compreensão: o dinheiro é uma espécie em extinção. Tende a desaparecer em questão de segundos de dentro do bolso das calças e da carteira do cidadão comum. Ou melhor, teletransporta-se em velocidade vertiginosa para os cofres das instituições bancárias multinacionais e para contas na Suíça ou nas Ilhas Caimã. Possui, está claro, propriedades magnéticas: muito dinheiro atrai mais ainda. Além disso, conclui-se que a bufunfa goste igualmente de esquiar nos alpes e de praias paradisíacas. Já de colchões velhos nem tanto.

Daí o velho e infalível ditado: “dinheiro não traz felicidade, manda trazer”.
Em todo caso, o fato é que sem dinheiro não se vive neste planeta. Então como consegui-lo? 
É o que veremos no capítulo a seguir.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

lavando louça

Lavar a louça é uma tarefa doméstica corriqueira, a qual os seres humanos postergam na medida do possível e do limite de armazenamento da pia. Quando a situação torna-se enfim insustentável, é hora de arregaçar as mangas e enfrentar as pilhas de panelas, talheres, copos e potinhos de plástico engordurados com os restos das refeições anteriores e novas formas de vida em desenvolvimento e plena evolução. Certamente deve-se menos à diversidade gastronômica do que a esse momento, o advento dos restaurantes e tele-entregas. Porém, uma vez iniciado o procedimento, até que não é tão ruim. É possível observar o aguçamento das capacidades abstrativas, o que vem a calhar no desenvolvimento e prática de assobio solo. Deve ser isso o que chamam musa, ou inspiração: uma pilha de louça suja. Em devaneios profundos, gerados pela fricção espumante entre a bucha e os utensílios, tem-se relatado sistematicamente a criação de sinfonias, operetas e antologias completas de poesia altamente inspiradas, embora de qualidade questionável. Mas nem tudo são flores. Finda a sua execução, as travessas pingando sobre o escorredor, resta ao nobre cidadão pedir uma pizza pelo telefone e resignar-se com relutância, adiando o futuro inevitável da prataria reluzente.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

complexo de épico*


Na noite da última quinta-feira, a sociedade carioca pôde deleitar-se com mais um espetáculo de altíssimo nível nos átrios do glorioso Theatro Municipal. E ponha alto nisso, como pude constatar empoleirado nos fundos da galeria. Se passei incólume à vertigem bamboleante da vista, o mesmo não se pode dizer do inevitável torcicolo provocado pelo ângulo agudo em declínio. É estranho que se reservem assentos tão desconfortáveis para a tribuna de honra, mas talvez não tenham me reconhecido. No convite constava, erroneamente, o nome de um tal candidato a vereador, mas o equívoco parece ter se estendido a todos os presentes. Achei mesmo curioso que se estivessem distribuindo as entradas na porta do teatro, justo enquanto eu passava, coincidentemente, de fraque e cartola, a caminho da lotérica.

Mais uma vez, o majestoso palco do Municipal esteve repleto de boa música. A sinfônica, tão logo pôs-se em seus lugares, tratou logo de improvisar uma curiosa peça dissonante enquanto o regente não chegava. A obra, de extrema vanguarda, causou-me profunda comoção intelectual especialmente pela inserção da pulsante ala de celulares em uníssono, estabelecendo de vez o vínculo muitas vezes subestimado da música erudita com a pós-modernidade. Finda a precisa execução, mal pude me conter e saudei a platéia com um bravo! inevitável. A beleza da música contemporânea, sem dúvida, está na sua imprevisibilidade; no uso dos timbres, texturas e contexto espacial como elementos indissociáveis da obra.

Curiosamente, o programa não revelava a autoria da magistral composição. Tampouco constava no menu de canapés do intervalo. Pensando neles, preparava-me para levantar quando o maestro resolveu aparecer, provavelmente atrasado devido ao demorado processo de afinação da batuta. Retornei ao assento no momento em que seus braços descreviam uma parábola perfeita e vigorosa rumo às primeiras notas, como só se vê nos profissionais mais tarimbados e de excelência incontestável. Infelizmente era visível, além da reluzente coroinha, a absoluta miopia do nobre regente, que, para conseguir reger a obra, teve de ter a pauta soprada pela senhora de binóculo da terceira fileira. Nesse morno quase-andante do século dezenove, só não me tornei mais entendiado do que o abatido timpanista, que trocava mensagens com o segundo violino enquanto não chegavam os dois últimos compassos. O marasmo do clássico revisitado foi salvo pela excelente participação em tosse-solo do senhor da décima quarta fileira, impecavelmente afinado ㅡ embora a cada movimento o autor provavelmente se revirasse na tumba. A escolha do repertório revelou-se um tanto quanto eclética, atravessando períodos distintos da história musical e culminando no ronco atento do meu estômago, em aprovação à alta cultura a que fora submetido ㅡ em côro com o ronco da velhinha ao lado, sem dúvida pelo mesmo motivo.

Em poucas horas, o rangido das cadeiras e uma selva de palmas anunciaram o fim de mais um espetáculo sublime, ao qual o público seguiu para o Salão de Selfies e posteriormente para as carruagens coletivas da Praça Floriano. 

*

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

nota de rodapé


1. Não demorou muito para que a tecnologia evoluísse até o ponto dos implantes cerebrais. O novo iBrain trazia não apenas atualizações automáticas ㅡ para não dizer obrigatórias ㅡ a cada 15 segundos, como passou a vir instalado de fábrica em todos os bebês a partir da geração Z, incluindo um manual de instruções e termo de adesão em nanotipografia. Provia acesso ilimitado a todo o acervo musical, pornográfico, literário, científico e meteorológico da humanidade ㅡ mediante cobrança imediata em cartão de crédito, naturalmente. Os algoritmos não ficaram pra trás: todo o conteúdo disponibilizado era previamente calculado de acordo com o perfil socioeconômico, cultural e ontogênico dos usuários. De forma imperceptível, seus feeds pessoais e prováveis interesses passaram a ser gentilmente sugeridos a cada piscar de olhos, embora a tênue linha entre a sugestão e a imposição fosse cada vez mais desfocada. Não que alguém se importasse com isso. Conveniência acima de tudo, convenhamos. “Keep it greasy, so it will go down easy”, já dizia aquela canção. Mas como o sistema funcionava, na prática? Digamos que você passaria a gostar de música pós-pop industrial-eletrônica sem saber porque, mesmo sempre tendo sido um fervoroso ouvinte de tangos e boleros. Quando menos percebesse, estaria assobiando o último e recém-lançado sucesso das paradas, talvez perguntando-se inconscientemente “de onde eu conheço essa merda?”, e sendo cobrado por isso. Aquela música grudenta, que não saía da cabeça por nada, não apenas tocava em intervalos programados ㅡ intercalada com a sua programação pessoal, o que provia a sensação ilusória de controle e liberdade totais ㅡ, como passava a influenciar, de fato, os seus gostos e decisões. O novo sistema de Mind Royalties provou-se o mais eficiente modo de cobrança e fonte de receita para a indústria musical desde a invenção do tonalismo, mas felizmente não duraria muito, como veremos a seguir.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

quadrúpede orquestra - esculpindo vento



disco novo de canções velhas, gravado ao longo de 3 anos em encontros esporádicos com meu chapa pâncreas em brasília. 10 faixas, 24 minutos. se preferir, ouça aqui.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

a curiosidade matou o fato





i.
“Para presidente, vote Agnaldo Taumaturgo”. À primeira vista, nada muito original, é bem verdade. Mas ao longo (sic) dos seus 4 suados segundos no horário eleitoral, a única e curiosa proposta foi se revelando, no mínimo, inovadora. “Eu tenho um segredo”, dizia, “O maior dos segredos, a verdadeira solução para os problemas do país”. Era preciso, naturalmente, dizer tudo muito rápido. Praticamente cuspir as palavras para caber no curto espaço de tempo do quadro, o que a princípio apenas provocou, após a mais absoluta indiferença, uma estranheza momentânea nos lares da classse média. “Foi isso mesmo que eu ouvi?”, perguntariam-se as donas de casa entre uma garfada e outra do jantar, ao que os maridos provavelmente responderiam “Isso o quê? Passa o sal”, e assim em diante. Mas o incrível poder da repetição, aliado à simplicidade do discurso, bastaram para despertar a atenção e conquistar aos poucos, se não a confiança, a curiosidade dos eleitores para com o extravagante candidato. Sorrateiro como uma mensagem subliminar ― uma pérola bruta incrustada em pleno horário nobre, espremida entre os gigantes de campanhas multimilionárias e superproduzidas ―, seu exótico lema foi repetido à exaustão, a cada dia provocando o arquear de mais sobrancelhas incrédulas.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

indo ao dentista

Ir ao dentista é mais uma pequena experiência em que se deve participar esporadicamente para compreender por completo o escopo do ser humano. Trata-se não apenas de um doloroso – e caro –, mas entediante processo ao qual esses comparecem em troca de não passar o fio dental todo santo dia.

Para se ir ao dentista, primeiro é preciso passar por uma salinha pequena e de decoração duvidosa, com uma televisão ligada em algum canal chato e revistas velhas e amassadas de fofoca ou semanários de direita amontoadas dentro de uma cesta ou sobre uma mesinha baixa, ao lado de um sofá desconfortável. Deve-se sentar com estranhos no sofá, em silêncio constrangedor e evitando contato visual – para evitar suspeitas quanto à sua procedência geográfica ou preferência política –, e dirigir-se apenas à senhora do outro lado do balcão, também no recinto, que se encontrará lendo algum livro de auto-ajuda ou pintando as unhas enquanto atende ocasionais telefonemas.

Após um período que pode variar entre trinta e noventa minutos, em média, ao qual os pacientes vão entrando e saindo do consultório, se é chamado e deve-se largar, educadamente, o artigo sobre as férias da atriz da novela na Riviera francesa pela metade em cima do sofá, levantar-se e andar até a porta, onde o doutor (ou a doutora) estará nos esperando com a mão fria e macia estendida e um sorriso, ironicamente amarelo, no rosto. Após breves cumprimentos e saudações, ele (ou ela) nos guiará à cadeira odontológica e sua assistente (geralmente ela), à qual ainda não fomos sequer apresentados, irá prontamente se encarregar dos acessórios da sessão, a saber: um babador de criança, um guardanapo e um sugador de saliva com motorzinho. Não é preciso estranhar os objetos empregados neste tipo de ritual, que poderão ainda compreender uma escarradeira de platina, um espelhinho curvo e – caso você esteja sem sorte – uma broca de tamanhos variáveis. A partir desse ponto, reaja normalmente. Não é preciso conter os gritos e as contorções, já que o doutor e a sua assistente são profissionais tarimbados (espera-se) e estarão acostumados aos pacientes mais dramáticos. Deixe-os trabalhar e abstraia eventuais sangramentos e injeções.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

chupa manga records

quinta-feira, 31 de julho de 2014

elevadores


Para evitar a fadiga, o ser humano eventualmente desenvolveu um mecanismo destinado a substituir as arcaicas “escadas”1 nos edifícios de mais de dois pavimentos. Trata-se de uma micro ecossistema suspenso no ar por cordas de aço, em sistema de contrapeso, para elevação vertical mediante operação de botões e interação social indesejada. Dito assim, soa complicado, mas o procedimento é simples: apertar o botão, esperar o elevador, aguardar a porta se abrir e as pessoas saírem, entrar, descobrir o andar no painel, apertar-se no recinto com um punhado de desconhecidos, evitar puxar assunto, suar frio, observar o itinerário indicado no visor, torcer para o elevador não quebrar, pedir licença para passar quando chegar a sua vez, desviar dos passageiros no sentido contrário e desembarcar são e salvo alguns metros acima ou abaixo do ponto de partida, de preferência no andar certo.

1. Devidamente decifradas pelo teórico J. Cortázar, no tratado "Instruções para subir uma escada" (1964)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

auto-arqueologia sonoro-biográfica


Por muitos anos gravei obsessivamente horas e horas de música, idéias, ensaios, conversas de bar e ruídos em geral, em fitas k7 raramente rotuladas e posteriormente esquecidas no fundo de uma gaveta. O surrado AIWA TP-VS470 resistiu bravamente até o fim de 2013, quando foi aposentado por invalidez. Nesse meio tempo, arquitetei diversas tentativas de formar bandas (algumas, de um dia só), que criaram repertório, em maior ou menor grau, e fizeram parte da minha formação e aprendizado na arte de tocar com outras pessoas - contraponto ao apreço pela solidão e isolamento. Uma dessas tentativas eventualmente se tornaria o Chapa Mamba, outras transmutaram-se em projetos paralelos, e a maioria ficou apenas na lembrança e nesses pobres registros resgatados de HDs antigos - por vezes apenas fragmentos e cortes arbitrários, de baixíssima fidelidade.

Contexto é tudo. São gravações precárias de performances por vezes inseguras, obviamente de alto valor sentimental, mas que também demonstram a vontade e urgência juvenis depositadas em milhares de ensaios, encontros, tentativa e erro de se criar algo único. Essa seleção traz algumas composições que em algum momento foram importantes para mim, e que de alguma forma atingem memórias nostálgicas de uma cena imaginária da qual fizemos parte. Talvez não interessem a mais ninguém, mas propus a mim mesmo reavaliar esses arquivos com ouvido crítico, apenas para constatar que sim, havia algo latente ali, de alto potencial, algo que espero continuar desenvolvendo enquanto puder.

Obrigado Paulo Mello, André Borges, Guilherme Souto, Yuri Mello, Daniel Guedes, Endrigo Bastos, André "Pâncreas" Campos, Iano Fazio, André Costa e Bruno Lima por terem tocado comigo nessas faixas, desculpem expô-los dessa forma. (Éramos jovens e inocentes, é a desculpa perfeita.) Obrigado aos outros amigos que infelizmente não apareceram nessa tosca seleção.




ONE-BAND-MAN (2005 - 2012)

A
de ontem em diante o amanhã é hoje
dança do intestino
passarinho
flauta doce *
quem não chora não mama
aquela do três-três
a vida é bélica *

B
pássaro de fogo
a propaganda da televisão *
metal
quem não chora não mama
orangotango-marimbondo
dança do destino
o fantasma da máquina
quem não chora não mama

Gravado em cassete, exceto quando indicado (*)




quarta-feira, 9 de julho de 2014

parada gráfica 2014

Estarei em Porto Alegre no fim do mês, para participar da Parada Gráfica, que acontece no Museu do Trabalho nos dias 26 e 27 de julho. O frio deve estar de lascar, mas faz tempo que quero conhecer a cidade, habitada por monstros como Fabio Zimbres e Rafael Sica, só para citar dois.






Além do material da Beleléu, dividiremos a mesa com o Selo Rabanete, da Clara, e daremos uma oficina de quadrinhos no domingo. As inscrições estão abertas e a oficina, assim como o evento, é gratuita.



Pra completar, toco com o Chapa Mamba na festa de abertura, no sábado! Barba, cabelo e bigode.
Mais informações sobre isso em breve.


PARADA GRÁFICA 2014
@ Museu do Trabalho
26 e 27 de julho

+infos
paradagrafica.tumblr.com
fb.com/aparadagrafica 


terça-feira, 27 de maio de 2014

livro de artista



soa pretensioso, mas é simples:

A Humanidade É Um Bêbado Chato Que Não Vai Embora
7,5 x 6,4 cm | 36 p.
carimbo de tipos móveis
exemplar único
2014


domingo, 20 de abril de 2014

cabeceira



o dinossauro arrumou um emprego, em cores, e está dando as caras no facebook/instagram da editora rocco em uma campanha para desmistificação do universo dos e-books.

sábado, 22 de março de 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dos enganos, cobranças e implicações metafísicas do gancho

Hipótese a.

Gostaria de deixar um recado pra Dona Iracy: seus cobradores mandam avisar, pela trigésima vez essa semana, que o nome da senhora está na lama, mais sujo que pau de galinheiro, e vai, definitivamente, entrar no Serasa no SPC e na boca do sapo caso não quite as parcelas eternas do crediário. Dos interlocutores já nem lembro mais. Light, Americanas, Casas Bahia, Net, Açougue do Nonô... De ampla gama, é fato, e leque farto: não importa o expediente, não têm o menor pudor em telefonar às 7 da manhã do sábado, às 16:20 de uma terça-feira ou no exato momento em que a panela está no fogo alto e a gente tem que sair correndo para atender e ainda ser paciente com a telefonista, para voltar correndo e encontrar o almoço irremediavelmente queimado. Credora em quinze estados, escapista sem-vergonha, Dona Iracy provavelmente haverá tomado chá de sumiço tão logo pôs os pés na rua, carregada de muamba ‒ não sem antes colocar justamente o número do meu telefone no formulário de cadastro de todas as vinte e sete filiais da loja de piscinas infláveis ou da revendedora de mobiletes usadas, no quinto andar de uma antiga fábrica de tapetes persas que agora funciona como locadora de vídeo. Mas existirá, de fato, Dona Iracy? Não fossem os enganos recorrentes, eu mesmo jamais teria tomado conhecimento de sua mal-falada serventia. Talvez o nome seja, também, falso como o número de telefone que ela inventou para fugir das dívidas. Dona Iracy, inadimplente e malandra, tomou banho de loja, parcelou deus e o mundo no cartão do Seu Gervásio e se mandou, sumiu do mapa. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CHAPA MAMBA - S/T (2014) TNR.064






Finalmente saiu o primeiro disco da minha banda, Chapa Mamba, via Transfusão Noise Records.
Ele foi praticamente gravado em 3 dias de 2013, no Interestellar Lo-Fi, mas só agora vê a luz do dia.

É engraçado como, mesmo depois de gravadas, as músicas nunca estão, de fato, prontas. 
Alguns arranjos estão sempre em evolução, e vamos descobrindo novas sutilezas e possibilidades. 
Dito isso, é o que temos pra hoje.

São 10 faixas, algumas delas bem antigas, num total de 31 minutos, e dá pra ouvir tudo aqui: chapamamba.bandcamp.com

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No dia 2 de março tem show no Escritório, pra comemorar o disco e, de quebra, o carnaval.

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ps: saiu uma resenha bem legal no site Miojo Indie


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Música de Computador vol.5



    1. Freelancer Dilema
    2. Coentro É Bom
    3. Dipirona Cafeína
    4. Vibe Enferrujado
    5. Aquilo Roxo
    6. Eu Não Quero Dizer Nada
    7. Tudo É Dor
    (21:21)

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