terça-feira, 3 de outubro de 2017

o otorrinolaringologista




Comecei essa música há uns dez anos, talvez mais. Havia gravado uma demo bem simples em 2006 ou 7 mas ainda achava que faltava alguma coisa na composição -- apesar de algumas ideias interessantes (o guarani, o hino nacional) a harmonia era muito simples, o ritmo muito apressado, e não consegui dar prosseguimento. Um ano atrás tentei retomá-la, decidi acrescentar mais algumas estrofes à letra e comecei a variar um pouco os acordes, pensar em outros instrumentos. Até gravei uma guia bem tosca, mexi na velocidade, mudei o tom, recortei e colei um monte de coisa, mas empaquei de novo. Acabei mandando para o meu chapa Stanislav, na Eslováquia, para ver se ele gravava uma bateria e talvez isso me ajudasse a terminar o resto. Ele mandou o arquivo de volta, que ficou novamente parado no meu computador. Nos últimos meses eu estava gravando/compondo/tocando algo todos os dias, mas ainda não sabia o que fazer com essa música. No feriado da independência (nada mais simbólico) fomos passar uns dias no litoral, e talvez tenha sido exatamente o respiro que eu precisava para voltar com novos ouvidos, tomar coragem e abrir novamente aquele arquivo. Terminei tudo em dois dias, obcecado. É uma música bobinha, mas me deixa orgulhoso. Vai sair em vinil artesanal transparente, com umas 5 cópias apenas. O lado B é uma outra canção antiga da mesma época, também com a bateria do Stano, e que já estava pronta há provavelmente um ano, esperando uma companhia. As duas iam fazer parte de um novo lançamento da Quadrúpede Orquestra que não aconteceu -- a voz e o violão da segunda foram gravados na casa do Mallogro/Pâncreas em 2007 --, mas achei melhor botar mesmo o meu nome e lançar como um  trabalho solo. É engraçado retomar coisas antigas assim. No caso, acho que ambas ainda funcionam, e talvez só agora eu tivesse mesmo condições de terminá-las. Nada como o tempo para testar e amadurecer as ideias.

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