é engraçado como a internet trouxe novos meios de nos relacionarmos com o mundo. hoje posso trabalhar, me divertir e aprender muita coisa sem sair de casa, mas isso não significa que as interações sociais não aconteçam. conheci o stano através do soundcloud, quando ele me mandou uma mensagem com o link das suas músicas, e desde então não parei de ouvi-las. um cara mais ou menos da minha idade do outro lado do mundo também grava coisas estranhas sozinho e não tem pra quem mostrar. das centenas de arquivos que ele me enviou, escolhi doze que representam um pouco da diversidade do seu trabalho, coloquei em uma ordem interessante e tentei masterizar as gravações na raça. o resultado é esse álbum de estreia, apresentando o camarada por aqui e preparando o caminho para outros lançamentos -- tem muito mais de onde veio isso.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
quarta-feira, 8 de junho de 2016
chapa mamba inédito
Essa é uma das faixas que estará no compacto em vinil "Lombra Society Discos vol.2", programado para setembro.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
novidades musicais
Em breve vou iniciar uma newsletter marota do meu humilde selo Chupa Manga Records (gravações caseiras, experimentalismos, anti-hits, pop torto, bandas obscuras e correspondentes interplanetários).
Nela constarão, dentre outros:
lançamentos em formato físico e digital; atualizações sobre as mercadorias do selo; promoções, descontos e faixas exclusivas para os assinantes; datas de show/turnê dos projetos envolvidos (quando for o caso); alguma notícia pertinente sobre música em geral e outros assuntos de interesse.
Tudo nas redes sociais parece virar ruído, então vamos tentar transmitir a informação de outra forma. Prometemos envios esporádicos. Uma vez por mês, no máximo, para não encher o saco de ninguém.
Não custa nada, caso queira se inscrever basta fazê-lo em aqui (rápido, fácil e indolor - via mailchimp).
domingo, 22 de maio de 2016
quinta-feira, 19 de maio de 2016
leituras cruzadas e livre associação
Tenho lido vários livros ou trechos deles ao mesmo tempo, hábito que costuma levar a conexões interessantes e soluções inesperadas a questões que estejam rondando a minha cabeça no momento. Ainda mais agora, quando a ficção tem concorrência tão desleal com a própria realidade, alguns textos se destacam como alegorias do presente, interpretações possíveis e parábolas que me chamaram a atenção. Foi o caso recente do poema Hino Nacional, de Drummond, em "Brejo das Almas" (1934):
sexta-feira, 6 de maio de 2016
terça-feira, 26 de abril de 2016
músicas ligeiras
Pensa-se imediatamente naquilo a que hoje chamamos «variedades». Mas as variedades são um fenómeno do nosso século, que surge com as indústrias da música (gravação e radiodifusão).
A música de variedades é um caso particular da música ligeira do século XX (as coisas serão provavelmente diferentes no século XXI). Essa música reconhece-se por dois caracteres diferentes:
— um ritmo e uma harmonia elementares, uma escrita de há cem ou duzentos anos (ultra-simplificada) com pormenores de estilo em voga.
— o papel preponderante dos «arranjadores» (orquestradores... e dos intérpretes)
segunda-feira, 25 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
lançamento
Saiu o novo Chupa Manga Zine! Dia 30 tem lançamento em Porto Alegre.
O flyer aí embaixo é um quadrinho do poster do Gabriel Góes, que acompanha a edição.
Aqui tá o evento, e já dá pra comprar por aqui.

O flyer aí embaixo é um quadrinho do poster do Gabriel Góes, que acompanha a edição.
Aqui tá o evento, e já dá pra comprar por aqui.

domingo, 10 de abril de 2016
Estimado Sr. ,
Lembramos que as instruções para extração encontram-se no 28º parágrafo, inciso II (com o perdão do trocadilho), do contrato de adesão.
Atenciosamente,
, , & Odontologia Especializada
conforme seu contato no dia 3 do último mês, reafirmamos que o serviço dentário conveniado ainda consta dentro da garantia estendida de seis semanas, sendo por isso perfeitamente possível a troca do item danificado por um novo de igual ou menor valor. Caso deseje apenas o conserto por parte do fabricante, nossa equipe estará pronta para atendê-lo assim que preciso. Para tanto, solicitamos que envie o dente em questão para o endereço impresso no verso deste envelope, onde será devidamente submetido a um rigoroso exame por parte de nossos especialistas, e, não sendo constatado mau uso, devolvido com todas as restaurações em dia e sem qualquer ônus para vossa senhoria. (exceto as despesas postais, naturalmente)
Lembramos que as instruções para extração encontram-se no 28º parágrafo, inciso II (com o perdão do trocadilho), do contrato de adesão.
Atenciosamente,
, , & Odontologia Especializada
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
MÁQUINAS FALANTES
A GUERRA DO VINIL
(em um passado nem tão distante - e nem tão distinto)
do livro
TALKING MACHINES - Some aspects of the early history of the gramophone
de V. K. CHEW (Londres, 1967)
p.34
O mercado de discos estava mesmo fadado a ser dominado pelo disco preto de goma-laca, com corte de agulha e 10 ou 12 polegadas de diâmetro, gravado dos dois lados. A Gramophone Company apresentou um disco de 10 polegadas em 1901 e um de 12 polegadas em 1903, e o primeiro disco a ser gravado em ambos os lados foi o Odeon, importado da Alemanha em 1904. Mas ainda haveria muita experimentação nas cores, materiais, tipo de corte e tamanho antes da padronização ser efetuada. Assim, o "inquebrável" disco vermelho Nicole, introduzido em 1903, foi um fracasso comercial, como também o foi o disco branco com corte fonográfico da Neophone, que trazia uma camada de celulóide sobre a base de papel comprimido, e sobreviveu, com a reorganização periódica da empresa fabricante, de 1904 a 1908. A firma Pathé, quando abandonou o cilindro pelo disco em 1906, também usava o corte fono; a gravação começava no meio em vez de na borda do disco, e era tocada com uma agulha de safira em vez de aço. Nas mãos da Pathé o corte fono foi tecnicamente bem-sucedido e a firma não introduziu um disco com corte de agulha até 1921.
Ao primeiro disco importado da Alemanha, o Odeon, seguiram o Beka, Favorite, Homophone, Lyraphone e outros. A competição entre eles forçou a queda do preço de um disco de 10 polegadas com dois lados de 4 shillings para 2 shillings e 6 pence em 1909, quando a Columbia entrou na batalha tomando o controle da Rena Company e lançando discos de dois lados a esse preço. A Gramophone Company parecia estar à parte da competição; seus preços permaneceram altos e ela não lançou discos de dupla face até 1912, mas sua subsidiária British Zonophone Company, tendo se fundido com a Twin Records em 1911, adentrou e eventualmente dominou a guerra de preços, o que produziu uma crise no setor de 1911 a 1914, enquanto uma enxurrada de novos discos alemães inundava o mercado e o preço do disco de 10 polegadas despencava até 10,5 pence.
A indústria das "máquinas falantes" estava bem servida na época, como sua contraparte hoje, pela imprensa especializada. As publicações Talking Machine News (de 1903), Phonotrader and Recorder (1906) e Sound Wave (1907) formavam laços valiosos entre fabricantes, comerciantes e o grande público. Nelas, a integridade editorial era teimosamente mantida, por vezes contra forte pressão de anunciantes gananciosos. Uma crítica musical séria focada em discos de gramofone apareceu regularmente pela primeira vez em 1906 na alemã Phonographische Zeitschrift; na Inglaterra não atingiu o alto nível acadêmico e de estilo que agora tomamos por certo em publicações sérias sobre o gramofone até a criação de The Gramophone em 1923. Críticas técnicas, hoje exercidas por engenheiros habilidosos e com o dom da popularização, apareciam largamente em colunas de correspondência e a única qualificação necessária para participar delas parece ter sido o entusiasmo.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
domingo, 13 de dezembro de 2015
onde está o riso?
Nas breves alusões a respeito do constructo cômico, a Poética e a Retórica aristotélicas afirmam que são matérias de sustentação do cômico aquelas de natureza infamante. Porém advertem que nem tudo que é ignóbil deve servir ao riso. Dependendo de sua extração e natureza, as matérias baixas servem mais ao horror do que à graça. “A Comédia é Imitação dos Piores; não segundo todo gênero de vício, contudo, ainda que o Ridículo tenha origem no Feio. Pois o Ridículo é, por certa convenção, erro e feiúra sem dor e com o mínimo prejuízo; e a face deformada, distorcida sem dor, surge imediatamente como ridícula.” Contudo, a dificuldade de se estabelecer o que é exatamente “uma deformidade sem dor” levou o próprio Aristóteles, na sua Ética em Nicômaco, a colocar em dúvida se se pode mesmo definir o que seja o ridículo, especialmente porque muitos riem de coisas, na verdade, dolorosas. A resposta a si próprio veio no mesmo livro, na alusão a que algo pode ser doloroso para alguns sem que seja para outros, e o que determina isto é a disposição dos ânimos em cada audiência.
Geraldo Noel Arantes
CAMPOS DE CARVALHO: INÉDITOS, DISPERSOS E RENEGADOS
Dissertação de mestrado em Teoria e História Literária - Unicamp, 2004.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
plunderphonics
Plunderphonics, ou audio-pirataria como uma prerrogativa composicional, foi um termo criado pelo artista John Oswald para seus experimentos sonoros em que desmembrava canções pop, trilhas de cinema e balés famosos utilizando gavadores e técnicas de reprodução alterada para criar novos sons "com a fonte ainda reconhecível".
Para saber mais, leia o artigo Do Dada ao Meme, no Chupa Manga Zine nº1
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
sempre em frente
pelo retrovisor do motorista
é possível enxergar, além da pista,
as vidas passadas dos passageiros
as idas e vindas da espécie humana
o meteoro e a era glacial
a extinção dos dinossauros
tudo isso o motorista vê, mas continua
seguindo o itinerário
é possível enxergar, além da pista,
as vidas passadas dos passageiros
as idas e vindas da espécie humana
o meteoro e a era glacial
a extinção dos dinossauros
tudo isso o motorista vê, mas continua
seguindo o itinerário
terça-feira, 13 de outubro de 2015
mini tour
o chapa mamba faz uma mini turnê entre 11 e 15 de novembro,
datas no evento: facebook.com/events/434346410094604/
terça-feira, 15 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
arte e utopia
Cada escritor encontra no outro o seu complemento e a indicação de um horizonte não alcançado ou pretendido. Suas obras constituem como que círculos que se tangenciam, interpenetram, repelem. Cada obra tem na outra uma possibilidade abandonada. Cada uma é o que é porque não quis ou não pôde ser o que a outra é. A identidade se marca pela diferença. Le Livre é o que não há. Ele seria a reunião de todos os pontos máximos alcançados pelas maiores obras. Tais ápices somente são possíveis dentro do princípio organizatório de cada uma das obras, e este não é idêntico em todas. Pelo contrário, ele é basicamente diferenciado. A opção por um caminho significa o abandono de outros. Como em um jogo de xadrês [sic] ou em uma cristalização amorosa, um encaminhamento em um lance determina outros encaminhamentos posteriores, e, em geral, se torna irrecuperável, dentro desse espaço, a opção por outros caminhos.
Flávio R. Kothe, Fundamentos da Teoria Literária vol. I (Ed. UnB, 2002)
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
chupa manga zine #1
15 x 17 cm
48 páginas em pólen soft, preto e branco
tiragem 300 exemplares
impresso no inverno de 2015
COMPRE AQUI
sexta-feira, 24 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
cinema
O MONSTRO DA LAGOA NEGRA (dir. Jack Arnold, 1954)
por Rubensvaldo Filho

Novamente o imperialismo vem dar as caras para tomar o que é nosso. A comitiva de cientistas americanos metidos a exploradores — e como —, invade a selva amazônica, em convênio com o Instituto de Biologia Marítima, apenas para causar o maior impacto possível ao meio ambiente. Uma escavação irregular — certamente em busca de minérios preciosos — desenterra o fóssil de uma espécie desconhecida, o possível elo perdido e ancestral anfíbio do ser humano. Movidos pelo prestígio que a descoberta causaria na comunidade científica do primeiro mundo, os americanos montam expedição para caçar seu último exemplar vivo. Contratam uma embarcação de pesca sem licença, cujo suspeito capitão se diverte em tocar o apito para espantar os animais ribeirinhos, e navegam rio adentro até o riquíssimo ecossistema onde vivem, além do espécime em questão, centenas de outras espécies não-classificadas pela ciência. Adentrando o habitat intocado, todos os guias indígenas são mortos de forma patética pelo ameaçado (e, por isso, ameaçador) "monstro", enquanto aos cientistas resta mergulhar na lagoa negra colhendo amostras geológicas e depredando a flora nativa. Ao se depararem com o triste animal, decidem envenenar a água — e consequentemente todos os peixes do local — para capturá-lo como prêmio. Enquanto isso, a mocinha contribui com o desastre ambiental atirando as bitucas de seus cigarros do barco. Após destruirem um dique de castores que represava o lago, os invasores perseguem o monstro até o seu ninho, alvejando-o em seguida com tiros de espingarda e levando, enfim, a raríssima espécie à extinção.
Acima, o anfíbio antropomorfo ajuda a doutora Lawrence a se levantar
Abaixo, os gananciosos cientistas capturam o espécime envenenado
No fim, "o monstro da lagoa negra", uma espécie agora extinta
terça-feira, 9 de junho de 2015
domingo, 10 de maio de 2015
a geração google não sabe
usar o google
é o que diz
a nova pesquisa do google
mas, por outro lado o google sabe
usar a geração google
e muito bem
usar o google
é o que diz
a nova pesquisa do google
mas, por outro lado o google sabe
usar a geração google
e muito bem
segunda-feira, 20 de abril de 2015
o artista e a cidade
O artista e a cidade. Pois o artista, diferente do artesão concebido por Platão, não orienta seu trabalho em uma área limitada e definida, segundo o princípio inflexível da divisão do trabalho e do especialismo intransigente que inspira a cidade ideal. Mas, semelhante nisso a Proteo, muda constantemente de fazer, inclusive de ser, até o ponto em que pode definir-se como um indivíduo que pretende ser e fazer todas as coisas. Em razão dessa pretensão sugere o filósofo (Sócrates) sua expulsão da cidade, já que constitui um núcleo permanente de subversão na urbe em que cada indivíduo se acha submetido ao império de uma só atividade, de um só papel social, sem que lhe seja possível modificar essa fatalidade que o condena.
(...)
Apenas em uma cidade, não ideal como a platônica, mas real como a renascentista florentina, pôde-se pensar essa síntese em termos reais, de maneira que nela o artista passara a constituir a figura mesma do homem, o qual, semelhante a Proteo, aparece na filosofia da época como aquele ser que carece de identidade e essência definida. E que por essa razão pode construir, fazer, produzir consigo mesmo qualquer identidade. Na filosofia de Pico della Mirandola aparece implicitamente reintegrado o Artista na Cidade, alcançando-se assim uma síntese que em Platão havia sido cumprida em termos teóricos mas não em termos práticos.
Essa síntese tripla de Eros e Poíesis, de Alma e Cidade, de Arte e Sociedade, sugere assim uma ordem social em que todo homem é artista, e em consequência sujeito erótico e produtor ao mesmo tempo, sem que seja necessário então coroar essa ordem mediante uma superestrutura política e filosófica, desvinculada da base erótico-produtiva.
Quando essa síntese tripla se quebra aparece a esfera anímica desvinculada da esfera social, de maneira que Eros não se prolonga em produção nenhuma, de maneira que Poíesis não acha em Eros nem na Beleza seu princípio e seu fundamento. Surge então o Desejo, conceito moderno que implica essa prévia divisão traçada entre o subjetivo e o objetivo. Desejo o qual, ao não achar-se mediado com a Produção, perde também seu vínculo com o objeto que almeja, Bem ou Beleza. Essa perda faz com que o objeto que lhe é próprio apareça então como eternamente ausente e separado. Apenas mediante a dissolução do sujeito desejante - através da Morte ou da Loucura - resulta possível o reencontro do desejo com seu objeto. Correlativamente surge a Produção, conceito moderno que constitui o objetivo traduzido do Desejo. Essa Produção, esse Trabalho, ao perder seu vínculo com o fundamento, com o princípio, chame-se esse Bem ou Beleza, sofre destino análogo ao Desejo: se constitui em esfera autônoma e separada, sem vínculo com o mundo anímico do sujeito desejante. Em consequência, se torna uma esfera fundada em sua própria inanidade: produção que busca apenas a produção, precipitadamente e sem norte, achando-se nisto, igual ao Desejo, como último horizonte de sua busca também a Morte: horizonte de destruição e desperdício ao qual conduz a produção ensimesmada.
Eugenio Trías
El Artista y la Ciudad, 1976.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
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