sexta-feira, 11 de setembro de 2009
juba
Dente mole em rapadura, tanto morde até que fura. E rapadura pura legítima não pode ter mistura, já dizia o barbeiro velhinho, com seus tremeliques experientes, de tesoura na mão, picotando as pontas dos cabelos de sansão. "Enfim, um desafio", foi a sua constatação, logo que entrei. "Hoje chove", foi a minha. O outro comentava as manchetes do jornal. O chão quadriculado foi sumindo, debaixo das madeixas infinitas, e já era mesmo hora de despejar os piolhos inadimplentes. Valha-me a navalha na nuca: feito o pé e aparada a barbaridade da cara de bobo, espanadas as sobras e varridos os restos para debaixo do tapete, me apresento ao camarada apresentável no espelho, confiro se as duas orelhas ainda estão lá, jogo os trocados amassados na cadeira, aperto a mão trêmula do barbeiro prometendo retorno em seis meses, quando acabar-se a validade do corte, abano as calças e a camisa e vou-me embora decidido a comprar um chapéu dois números menor, com a merreca da economia de xampu.
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5 comentários:
Genialidade! Bora lançar um livro!
uai, e a juba tava de qual tamanho ?
jujuba...putz, escrevendo demais vieiron.
doidin... e aqueles textos malucos da bongo eram quase todos seus?
a maioria, acho.
os outros eram do jahz, aí em cima.
abs
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