os vizinhos se encontram no elevador
apresentam-se
dão bom dia uns aos outros
apertam o botão do seu andar
evitam cruzar o olhar
e depois batem na porta da gente reclamando da infiltração no banheiro que acontece de cair bem em cima dos vasos de plantas
que, regadas todos os dias, estão mais vivas e fortes do que nunca
o cacto
no meio da sala de jantar
espinhudo
espinhento
seco seco
desértico
lembra a gente que a água é o menor dos nossos problemas
o chinelo é o biquini do pé
o mar é o correio dos náufragos
a importante das palavras ordem é
a fumaça é o fantasma do cigarro
o relâmpago é a idéia da nuvem
o acento é a lâmpada da idéia
a música é a pausa do silêncio
o guarda-chuva é a bengala de vestido
era um proctologista cheio de dedos
a dentadura sorria no copo
a solidão é sempre maior que a encomenda
a morte, coitada,
não é malvada não
é funcionária pública burocrata
que tem de fazer relatório e bater o cartão
no final do expediente
e quando está de férias ou no cafezinho
também dá uma folga pra gente
gato e sapato sem prato nem rato
os vizinhos moram dentro da janela
a buzina buzina
bibi
fonfón
bebé
pulou do prédio
stravinsky
a 500 pés lembrou do pára-quedas
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