Durante o café, como quem não quer nada, ela mandou uma indireta de esquerda bem no meio das minhas fuças. Pego assim, desprevenido, retruquei com uma palavra-cruzada no queixo. “Dramalhão mexicano, horizontal, 13 letras”. Sem titubear, ela emendou uma sequência de ganchos e trocadilhos que me fizeram perder o fio da meada. Atordoado, encurralado na corda-bamba, esquivei-me como pude, com evasivas e meias-palavras. Mas ela tinha experiência e um belo jogo de pernas. O gongo da torradeira me salvou da saraivada impiedosa de perguntas que viria a seguir.
Pagamos a pizza. Mal havia cuspido no prato em que comera, começamos o segundo assalto, sem chance de jogar a toalha. Lavamos a roupa suja sem ao menos separar as mentiras brancas. O árbitro desistiu de apitar os impedimentos e golpes baixos na pequena área. Já havíamos passado do décimo assalto, moídos, os superegos abertos, quando foi declarado o empate técnico. Contamos até dez e abandonamos o ringue, sem ressentimentos.

2 comentários:
Achei tão foda que guardei pra mim.
Maria do Bairro. Eu não levaria uma surra dessas.
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